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Busca por novos desafios pode esconder frustrações profissionais

Sidnei Oliveira

É impressionante a quantidade de profissionais que atualmente deixam seus empregos em busca de “novos desafios”. Muitos abandonam carreiras estruturadas e sedimentadas em troca da emoção do novo, algo que possa trazer de volta um sentimento de expectativa e até de insegurança, como o que esteve presente no início da carreira profissional, quando tudo era novo e muitas vezes representavam uma ameaça à manutenção do emprego.

O que parece estimular essa busca constante por uma trajetória empolgante e com possibilidades de grande reconhecimento são as transformações que a carreira sofreu nos últimos anos. A vida profissional expandiu-se. Já não podemos mais falar de meros 35 anos de carreira, pois, com o aumento da expectativa de vida, percebemos que não só precisaremos, mas, também desejaremos trabalhar e desenvolver trajetórias mais diversificadas.

Muitas vezes a busca por “novos desafios” surge de fatores subjetivos, como ambiente de trabalho ou atuação das lideranças. Entretanto, alguns profissionais transformaram o tema em estilo de vida, saltando de emprego em emprego, atrás do melhor local para  trabalhar. Muitas vezes, a ruptura esconde interesses e expectativas frustradas, tais como um aumento salarial ou uma promoção que não aconteceu, o que acaba trazendo consequências.

Esse fenômeno é muito positivo quando observado em profissionais mais veteranos, pois pode significar a descoberta de uma segunda carreira, trazendo benefícios pessoais e também corporativos, afinal, o conhecimento tácito, adquirido em anos de trabalho, certamente se transforma em um potencial extremamente produtivo nas novas atividades. Há, entretanto, um lado perverso nesse fenômeno, que é quando essa busca acontece com profissionais novatos. Para eles, os efeitos são bem diferentes e interferem profundamente na sua formação.

Um jovem profissional, novato em um emprego, não recebe, inicialmente, os desafios de maior valor. O mais comum é que o valor dos desafios sejam apresentados de forma crescente, à medida em que são superados. Contudo, quando há diferenças nas expectativas e o jovem aventura-se em um novo emprego em busca de “novos desafios”, o que ele alcança, de fato, é uma redução no valor dos desafios, pois torna-se novato outra vez e sua trajetória recua algumas etapas.

Seja qual for o motivo para a decisão de ruptura, é fato que ela deixa marcas na trajetória do profissional, por isso, é muito importante considerar se realmente está em busca de novos desafios ou apenas se desviando dos desafios que encontra pelo caminho.

Isso irá determinar se sua estratégia de carreira é vitoriosa ou apenas um fuga, afinal, algumas vezes os desafios estão exatamente onde você deixou.

(Publicado originalmente no ClickCarreira, 22/06/2012).

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    É possível começar uma carreira de sucesso depois dos 30 anos

    Rachel Sciré

    O dia de Rodolfo Gutilla, 50, parece ter mais do que 24 horas. Diretor de assuntos corporativos da Natura, ele também é presidente do conselho da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), vice-presidente da Associação da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Beleza e da Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas, além de atuar como conselheiro em várias organizações. Nas horas vagas (ou seriam “horas extras”?), Gutilla dedica-se à Literatura – é autor de livros de poemas, literatura infantil e ensaios.

    Gutilla trabalha entre 10 e 12 horas, dividindo as tarefas entre a sede da Natura, em Cajamar (SP), os escritórios de fornecedores e parceiros, e sua casa.  O dia a dia envolve atividades de representação, viagens, relacionamento com a imprensa e o governo e criação de materiais institucionais, entre outras coisas.

    Mas ele nunca pensou que seria um executivo. Gutilla é formado em Jornalismo e mestre em Antropologia. Conciliou a carreira na imprensa com a vida acadêmica e até fez militância sindical como professor. Na entrevista a seguir, ele conta sua trajetória até o topo do mundo corporativo.

    Vida de estudante

    Eu nunca fui bom aluno, era dispersivo, mas gostava muito de ler, era um pouco introspectivo. Repeti de ano duas vezes. Depois eu fiz faculdade de Comunicação e, logo em seguida, ao perceber que eu tinha um inclinação para Ciências Sociais, fui fazer o curso na PUC-SP. Fiz pós-graduação e mestrado em Antropologia.

    Começo de carreira

    Eu me formei em 1985, em Jornalismo, e fui da primeira turma do treinamento da Folha de S.Paulo, que nem se chamava assim na época.  Tive a oportunidade de aprender com grandes mestres do jornalismo e um grupo muito talentoso que trabalhava lá. Mas percebi que o jornalismo diário não me emocionava, não me fisgava. Era tudo muito rápido e relativamente superficial. Eu queria mergulhos mais profundos, então fui fazer um outro tipo de jornalismo mais segmentado. Trabalhei em revistas e publicações, como a Casa Vogue. Depois passei a me interessar muito pela Academia, por lecionar, dividindo então o meu tempo entre o jornalismo e a atividade de professor. Eu dei aula por seis anos de Antropologia e Edição no curso de Jornalismo, foi muito gostoso.

    Atuação sindical e mudança para o universo corporativo

    Eu comecei a lecionar porque tenho uma vocação muito grande para essa área, mas a remuneração do professor no Brasil é baixa, na época era ainda pior. Então eu acumulava atividades de jornalismo e de relações públicas, fazendo projetos, planos de comunicação, matérias, reportagens – freelancer, de modo geral. Eu era delegado sindical dos professores e nós promovemos a primeira greve no sistema educacional em que trabalhava. Todos entenderam o nosso pleito e obtivemos ganho de causa no Tribunal do Trabalho, mas depois a discussão com os donos da faculdade foi muito tensa, então surgiu uma oportunidade em uma agência de relações com a imprensa. Lá eu aprendi a fazer projetos e depois fui convidado para ser o supervisor de relações com a imprensa de um dos clientes. Foi assim que comecei a atuar no mundo empresarial.

    Sobre entrar mais tarde no mercado de trabalho

    Eu iniciei minha carreira no mundo corporativo depois dos 30 anos ou um pouco antes. Eu vejo essa idade como um momento especial, porque aos 30 anos você está muito preparado, está numa fase da vida em que já está mais pronto e maduro para uma nova etapa mais desafiadora, que pode ser uma mudança radical, como eu fiz, vindo do mundo acadêmico para o mundo corporativo, ou uma promoção que te leve a um nível de maior responsabilidade dentro da organização. O importante é que você tenha claro quais são as competências que você tem para enfrentar esse desafio. Às vezes é preciso arriscar e dar um passo maior que o outro, sem ousadia você corre o risco de ficar fazendo a mesma coisa para o resto da vida.

    Dia a dia na empresa

    Tenho uma jornada de trabalho que demanda muito, trabalho em torno de 11, 12 horas por dia, viajo bastante. Trabalho aqui, em algum escritório onde vou estar (seja de um fornecedor ou de um parceiro de negócios) e outra parte do dia eu trabalho em casa, à noite. Eu cuido da área de assuntos corporativos, que, em resumo, envolve as relações com a imprensa, com formadores de opinião, a produção de materiais institucionais, mas também tomam bastante parte do meu tempo as relações com o governo.

    Lazer

    Eu escrevo, sou poeta e faço ensaios sobre Literatura. Tenho perseguido esse desejo de escrever e já publiquei alguns livros. Quero acreditar que daqui a alguns anos vou poder dedicar mais tempo a essa minha vocação. Gostaria de construir uma segunda trajetória nesse campo.

    Literatura e Antropologia em relação ao mundo empresarial

    A Antropolgia ensina a compreender os sistemas simbólicos, as narrativas mitológicas, as organizações de uma determinada cultura. A empresa é um agrupamento social, ela tem seus próprios rituais, seu mito de origem, suas próprias narrativas. A Antropologia ajuda a navegar no ambiente corporativo e a criar as narrativas para que os outros compreendam qual é o propósito e a vocação social desse empreendimento. A Literatura, onde o resultado também é uma narrativa, ajuda a construir e compreender outras narrativas sobre o indivíduo, no ambiente empresarial e em relação com os seus pares, e a empresa, em relação aos seus múltiplos públicos. O que me levou à Antropologia e o que me faz escrever é essa paixão que eu tenho pelas narrativas, pelos símbolos.

    Diferencial na carreira

    O que eu acho que fez diferença foi ter feito uma boa faculdade de Ciências Sociais, um bom curso de pós-graduação e um mestrado com muita aplicação. Parte do que sou hoje, devo à segunda formação.

    Futuro profissional

    Eu nunca me preparei para ser um executivo, sempre para ser professor. Eu fiz muito trabalho de campo, pesquisa etnográfica e acabei me tornando um executivo. Daqui pra frente, eu planejo atuar na área de assuntos corporativos pelos próximos 10, 12 anos, porque isso demanda muita energia, esforço físico inclusive. Depois eu gostaria de voltar a estudar, quero fazer doutorado e voltar para a vida acadêmica, além de continuar escrevendo. E se julgarem que eu tenho alguma competência para isso, eu posso ser conselheiro no futuro, seja na área da comunicação ou na de relações institucionais.

    Conselhos a um jovem profissional

    Instrua-se, eduque-se, faça mais de uma faculdade, se puder, faça pós-graduação, mestrado, MBA. Permaneça atualizado. Faça cursos de extensão universitária, de atualização. Faça cursos mais estruturantes, porque a técnica você acaba aprendendo no dia a dia. Além disso, relacione-se. Esteja sempre buscando novos contatos, saiba quem são as lideranças das empresas, procure identificar os valores que te inspiram em um determinado executivo – procure conhecer pessoas e estilos diferentes de gestão. Tenha uma disposição permanente para o aprendizado cotidiano, não se aliene. Por fim, trabalhe muito, porque tem sempre alguém que vai trabalhar mais do que você, mas não perca de vista que você tem família, amigos e uma outra vida para construir.

    Para saber um pouco mais, assista o vídeo da entrevista clicando aqui.

    (Publicado originalmente no ClickCarreira, 15/06/2012).

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    Os riscos de falar demais no trabalho (e como evitá-los)

    Falar demais não é pecado, mas se feito sem bom senso pode trazer sérios riscos para a sua carreira, segundo especialistas

    Talita Abrantes

    São Paulo – Regra básica para ter uma carreira promissora? Comunique-se bem. Sim, isso mesmo. Independente do cargo ou setor de atuação, saber se expressar de uma maneira objetiva e clara é essencial para emplacar ideias, convencer clientes e, principalmente, liderar.

    Mas, atenção, comunicar-se bem não é sinônimo de falar demais. E é exatamente nesta confusão de conceitos que estão alguns dos mais sérios pecados corporativos de muita gente por aí. Seja por um traço de personalidade ou por pura falta de senso, muitos profissionais dão corda demais para a mania de ser prolixo e, acabam, colocando a própria carreira em risco.

    Confira abaixo quais os riscos de ser prolixo e como evitá-los – mesmo quando falar demais faz parte da sua personalidade:

    Riscos

    • Ganhar o título de arrogante…

    Quem fala demais, geralmente, peca por não ouvir os outros. “Você só entra na conversa quando a pessoa para para respirar. E, mesmo assim, nem sempre dá tempo”, descreve Reinaldo Passadori, do Instituto Passadori.

    Por isso, não raro pessoas prolixas tendem a ser consideradas arrogantes e, no pior dos cenários, muito (mas muito mesmo) chatas. Por não ter papas na língua, quem fala para além da conta corre o risco de “declarar coisas que não deveria e soltar trunfos sobre si mesmo”, diz Silvio Luzardo, especialista em oratória.

    “Quem é prolixo não tem a percepção de aceitar o outro como ele é. Fala demais porque acredita que o que fala é correto e o que o outro sente não tem importância”, diz Passadori.

    • …ou de inconveniente

    Por não estarem atentos às outras pessoas, alguns prolixos tendem à uma síndrome de falta de tato crônica. Este problema é materializado em tratar de assuntos indevidos em ocasiões impróprias e, principalmente, ocupar demasiadamente o tempo de terceiros.

    De alimentar a rádio peão até fazer piadas de mau gosto, passando por despejar críticas vazias e pecar na falta de discrição, as gafes de quem fala além da conta são inúmeras. E, infelizmente, pouco raras. “Aí não há quem aguente, né?”, diz Romaly de Carvalho, especialista em etiqueta corporativa.

    • Perder espaço

    A consequência para esse tipo de comportamento é até óbvia: em alguns cenários mais assustadores, ser prolixo pode sim custar seu sucesso profissional. E, neste caso, sua qualificação nem sempre falará mais alto.

    “O bom profissional tem foco. Sabe o que dizer e quando dizer”, diz Romaly. “No mundo corporativo, as pessoas querem soluções eficientes em menor tempo”.

    Fato que garante alguns pontos negativos para quem não consegue vislumbrar o mundo de uma maneira mais objetiva. “O profissional perde o crédito. O cliente pode sentir que está sendo enrolado”, diz Silvio Luzardo.

    Como evitar

    • Ouça

    O conselho de avó pode até ser clichê, mas é valioso para essas horas: todos têm dois ouvidos e uma boca, logo…

    A conclusão para o ditado popular é até óbvia, mas quem tem o hábito de falar sabe que a experiência prática não é tão simples assim. Por isso, se você integra o grupo dos que sempre protagonizam um diálogo, uma dica: fique atento às perguntas do seu interlocutor. Se ele parar de questionar (ou pior, falar), cuidado.

    “A pessoa fala e fala, mas não leva em consideração se o outro está gostando da conversa”, diz Romaly. Por isso, a primeira lição para toda pessoa que perde o limite na hora de se comunicar é simples: ouça, ouça e ouça.

    • Diferencie

    É essencial também diferenciar os tipos de relacionamento que você nutre no trabalho. Lembre-se: uma coisa é amigo (e o tipo de assuntos que podem ser tratados com ele), colega de trabalho é outra história. E traçar esse limite é fundamental para ter foco na hora de se comunicar no trabalho.

    “Você até pode ter amigos no trabalho. E é bom que tenha. Mas nem todos serão seus amigos. Com o colega de trabalho, você deve compartilhar apenas assuntos relativos ao planejamento da empresa”, diz Romaly.

    • Não tenha medo do silêncio

    O silêncio, principalmente entre desconhecidos, pode incomodar . E muitas vezes, apavorar. Mas isso não pode ser justificativa para dar cordas para a própria língua e falar coisas que não deve. Quando o silêncio apavorar e desconectar, o melhor antídoto é permanecer quieto. E esperar o outro.

    • Foque no que é urgente e importante

    Planejamento deve ser palavra de ordem para qualquer profissional. E isso se aplica também a todos os diálogos que você precisa liderar. “Transforme tudo o que tem que ser dito em frases objetivas. Foque apenas no que é urgente e importante”, ensina Passadori.

    (Publicado originalmente no Portal Exame Carreira, 05/06/2012).

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    A concorrente quer me contratar!

    Rachel Sciré

    Diante da escassez de profissionais no mercado de trabalho, não é raro empresas buscarem talentos entre os concorrentes. Hoje, os mais assediados são os empregados nas áreas de TI, Petróleo e Gás, Geologia e Engenharias, em geral, em nível executivo. Mas e você, como reagiria se recebesse uma proposta da empresa rival?

    “O mercado está tão dinâmico que não há problema em ser procurado pela concorrente”, afirma Irene Azevedo, diretora de negócios da LHH/DBM, empresa de soluções para desenvolvimento de talentos. No entanto, a consultora destaca que é preciso tomar alguns cuidados logo que for acionado pelo headhunter.

    O primeiro é avaliar se aquela movimentação faz sentido – se há profissionais deixando a concorrente ou a se a contratação está relacionada a alguma nova estratégia da empresa, por exemplo. Caso contrário, pode ser apenas uma sondagem de mercado, algumas vezes, com más intenções.

    Além disso, como se tratam de concorrentes, deve-se evitar a troca de informações sobre rotinas e processos. “O profissional tem que falar o mínimo possível da empresa atual e, em vez disso, destacar suas qualidades e realizações”, ensina Irene.

    Como em qualquer outra oportunidade, antes de aceitar a proposta é necessário considerar se não há nada mais para aprender na organização em que está empregado e se não existem chances de crescer ali. “Deve-se pensar se a proposta do concorrente vai dar oportunidade de fazer um salto na carreira e assumir uma posição mais desafiadora”, diz.

    Saída sem tropeços – Pedir demissão é sempre delicado, imagine então quando você está deixando seu trabalho para assumir um posto na concorrência? Na hora do desligamento, a recomendação é ser bastante profissional: dizer que teve uma oportunidade melhor, deixar todas as suas coisas organizadas e as tarefas cumpridas.

    Como você não é obrigado a contar para onde está indo, pode avisar o chefe e os colegas só depois de ter começado no emprego novo – o que não vale, caso o funcionário tenha assinado uma cláusula de não concorrência. Fora do Brasil, esse documento é bastante comum fora, principalmente em cargos executivos. Ao assiná-lo, o profissional assume o compromisso de não trabalhar no concorrente por um período determinado, depois de sair da empresa. Em contrapartida, o antigo empregador se compromete a pagar uma indenização durante o tempo de inatividade profissional. “Algumas concorrentes chegam a esperar os profissionais durante esse período”, conta Irene. Empresas de tecnologia, de agronegócios, de automóveis e instituições financeiras estão entre as que mais se utilizam do contrato.

    Nada a recear – Se o profissional não tem nenhum impedimento deste tipo, não deve se preocupar se a troca de emprego vai pegar mal. De acordo com Irene, o ambiente mudou e as organizações se reestruturam com maior facilidade. “Se a oportunidade for melhor, nenhum chefe ou colega vai achar que você agiu mal, só porque se trata de concorrente”, diz ela, que também já passou por essa situação.

    A consultora ainda explica que não esbarrar em questões éticas durante a transição depende da postura assumida pelo profissional. “Jamais leve informações de onde você trabalhou, nem se valha delas para fazer seu trabalho”, recomenda.

    Para quem ainda não recebeu um convite para mudar de empresa, também fica a dica: não fale mal do concorrente em hipótese alguma. A ideia é sempre valorizar seus diferenciais e nunca subestimar o rival. Afinal, se um dia você for convidado para trabalhar lá, poderá aceitar o convite sem passar por uma saia justa.

    (Publicado originalmente no Click Carreira Quero Crescer, 29/05/2012).

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