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Mercado oferece salários mais altos para aposentados

Em tempos de apagão de mão de obra, as empresas tem recorrido aos seus veteranos para garantir que as áreas consigam manter o desempenho de forma satisfatória e com assertividade.

A Dir. Executiva da Quality Training RH falou ao Jornal da Band sobre o assunto.

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(Originalmente publicado no site da Band, 25/01/2013)

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    Língua na ponta

    Vamos começar o ano tratando de um assunto que nunca esfria: A necessidade de conhecer outros idiomas.

    Leia o texto publicado na revista Viver Brasil e conheça a opinião da nossa Diretora Executiva, Marisa Ayub, sobre o assunto.

    Um segundo idioma, especialmente o inglês, se era necessário, torna-se ainda mais essencial com a globalização e a proximidade de eventos esportivos

    Por: Terezinha Moreira

    Em um país onde a língua mãe é problema para muitos, dominar um segundo idioma, em especial o inglês, ainda continua sendo um grande diferencial no mercado de trabalho. Com a globalização da economia, profissionais bilíngues passaram a ser disputados principalmente pelas grandes empresas, que iniciaram contatos e começaram a fechar negócios com corporações de outros países. Como o inglês é a língua universal, é fundamental que em seu quadro de funcionários existam profissionais fluentes. E, em tempos de eventos esportivos internacionais, que ocorrerão no Brasil em 2013, 2014 e 2016, a disputa por quem domina o inglês dá ares de que será ferrenha, principalmente no setor de serviços, que demandará mão de obra especializada para atendimento direto a turistas estrangeiros.
    Vai faltar profissional para tanta demanda. Aliás, está faltando. Como tudo na vida, há o lado bom e o ruim. É ruim para as empresas que, além do trabalho para encontrar bilíngues, terão de contratar mão de obra especializada bem mais cara. Bom para os trabalhadores, que deverão ser muito bem remunerados. Mas as copas das Confederações e do Mundo e as Olimpíadas são apenas oportunidades pontuais de valorização dos profissionais bilíngues. O fato é que não faltam espaços no mercado de trabalho para quem domina a língua. Pelo contrário. Estes profissionais, além de serem mais bem pagos que os monoglotas, têm horizonte de crescimento mais amplo dentro das corporações, claro, dependendo de seu desempenho nas funções atribuídas. Mas nas disputas, quando há, os bilíngues sempre ficam à frente dos demais concorrentes.
    Foi com esta visão de mercado de trabalho que o engenheiro mecânico Marcus Vinicius Alves de Souza decidiu iniciar um curso de inglês assim que entrou na faculdade, em 2005. “Na minha profissão, falando uma segunda língua, as oportunidades são muito melhores. Como o inglês é falado no mundo inteiro, é primordial ser fluente”, diz o engenheiro. Ele conta que no atual emprego, por dominar o inglês, evoluiu bastante. “Embora a empresa seja 100% nacional, representa uma marca norte-americana. Entrei como trainee, continuei estudando inglês e percebi que algumas portas me foram abertas no departamento que trabalho por eu saber a língua.” Marcus diz que estava desenvolvendo projeto para parceria com uma empresa estrangeira e que foi o responsável pela apresentação em inglês.
    A fluência na língua não possibilitou somente crescimento interno de Marcus Vinicius na companhia, mas também abriu portas para o mundo. “Fui para Boston, Detroit e Pitssburgh, nos Estados Unidos, por conta de projetos na empresa e foi uma experiência muito bacana.” Como qualificação profissional não tem fronteiras, a meta dele para 2013 é começar a estudar também o espanhol.
    A língua, bem como os dialetos galego e catalão, é uma das cinco dominadas pela concierge Daniella Ferraz, que também tem fluência em inglês, francês, italiano e, claro, português. Formada em literatura espanhola pela Universidade de Salamanca, ela não está satisfeita com a fluência somente nessas línguas. “Meu próximo desafio é aprender mandarim porque a China está crescendo muito e ampliando suas relações com o Brasil.” Daniella afirma que em sua profissão é primordial falar pelo menos inglês para atendimento a estrangeiros. “Mas se pudermos conversar com eles em sua própria língua, melhor porque se sentirão mais acolhidos e seguros e entenderão melhor as informações”, conta a concierge que estudou inglês no Brasil e o aperfeiçoou em intercâmbio no Canadá.
    Para Daniella a principal vantagem de ser fluente em outras línguas não é profissional, mas pessoal. “Isto me dá uma visão ampla das coisas. Me coloca como cidadã do mundo. Não me sinto à frente dos meus concorrentes no mercado de trabalho, mas com o privilégio de ter aprendido todas estas culturas e poder colocá-las em prática no meu dia a dia.” O número de atendimentos a estrangeiros vem crescendo nos últimos dois anos no BH Shopping, onde trabalha, desde que o serviço de concierge foi implantado. A maioria é em espanhol. Dos clientes que procuram o serviço, entre 2% e 5% são estrangeiros.
    São de profissionais como Daniella Ferraz que o mercado belo-horizontino precisa. Mas não encontra. A prova disso é que o proprietário do Parrilla São Bento Pizza Bar, Carlos Guilherme Lage Ribeiro, está à procura de bilíngues e não consegue. “Estamos tentando profissionais fluentes em inglês para a área de coordenação, com salário diferenciado, para ajudar no atendimento aos clientes estrangeiros, visando à Copa das Confederações, mas está complicado”, diz o empresário. A falta de bilíngues, segundo ele, irá inflacionar o salário desses profissionais, principalmente no período dos eventos esportivos. Ele lembra que hoje a vaga está em busca do candidato e não o contrário. “Uma coisa é querer, a outra é conseguir um profissional bilíngue até 2013.”
    Mas o fato de BH ser uma das sedes da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, está fazendo com que um número cada vez mais crescente de pessoas, interessadas em se preparar para atender turistas estrangeiros, aumente em algumas escolas de inglês da capital. “Os alunos procuram cursos de curta duração, específicos para suas áreas de atuação. A demanda é crescente por causa dos jogos, mas também em função do crescimento econômico do Brasil”, informa Rose Mendes, coordenadora da IBS Idiomas, programa de inglês para negócios, desenvolvido pela IBS Business School em parceria com a Ohio University. Ela diz que há dificuldade de se encontrar profissionais que falem inglês no mercado e, para capacitar algumas pessoas, a IBS Idiomas irá oferecer, a partir de fevereiro de 2013, cursos com duração de 3 a 6 meses, específicos para atendimento no dia a dia dos profissionais. “O inglês é uma educação continuada, mas num primeiro momento é possível se conseguir o básico.”
    Para que isso seja possível e para que os profissionais de atendimento direto ao público em hotéis, bares e restaurantes não façam feio durante os eventos esportivos, o sindicato das categorias está oferecendo cursos de inglês. “É para que as pessoas tenham condições de lidar com as demandas do dia a dia no contato direto com os turistas de outros países”, diz o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb), Paulo Cesar Pedrosa. O curso será ministrado aos sábados. Ele afirma que ainda falta vontade por parte das corporações para qualificação de seus profissionais. “Os empresários precisam mexer na grade de horário dos funcionários para que se qualifiquem. Mas, por outro lado, falta vontade dos empregados também, pois há cursos gratuitos oferecidos pela Embratur e Belotur cujas vagas não são preenchidas.”
    Ele diz que há um grande buraco com relação à disponibilidade de profissionais bilíngue. “Há mercado para essas pessoas, com remuneração mínima de mil reais mensais para carga horária de 6 horas, em média.” Mas reconhece que a lei da oferta e da procura irá inflacionar os salários desses profissionais. Bom para quem está em busca de qualificação. “Hoje, quem fala inglês, na área de serviço, está sendo caçado a laço. As empresas não investem nos funcionários para estudarem inglês, pois acham que isso é questão pessoal e não profissional”, critica o presidente da rede Number One, Marcio Mascarenhas. Em sua avaliação, há uma década, dominar a língua inglesa tornou-se obrigatório para quem quisesse ascensão profissional.
    Finalmente, as pessoas começaram a perceber isto e as matrículas nos cursos não param de aumentar.
    Se há 10 anos o inglês fluente era primordial para o crescimento profissional, hoje é praticamente obrigação para ingresso no mercado de trabalho, principalmente nas grandes corporações. “É fundamental para o candidato ter fluência em inglês, principalmente. O idioma valoriza a remuneração em relação a outras pessoas na mesma função com variação de 25% a 30% no valor do salário”, afirma a diretora executiva da Quality Training Assessoria em RH, Marisa Ayub. “Como não temos mão de obra qualificada, importamos profissionais, principalmente engenheiros vindos da Espanha e da Índia. Com isso, as empresas terão de pagar um salário melhor.” Outra dica da especialista é a vivência internacional. Ela diz que, se a pessoa tiver de escolher entre fazer pós-graduação e um curso de idiomas, a segunda alternativa é mais atraente.
    Para atingir a fluência na língua, a estudante de marketing Juliana Lirdi, recepcionista do Bhar Savassi, pretende fazer um intercâmbio na Inglaterra ou no Canadá. Descendente de italiano, ela domina o idioma daquele país, mas reconhece a importância do inglês, principalmente com a possibilidade de lucrar bastante com trabalhos temporários nos eventos esportivos. “Espero me preparar adequadamente e ter excelente retorno financeiro na Copa do Mundo. Fora isto, estou otimista quanto a conhecer novas pessoas e culturas.” Juliana diz que é fundamental falar outra língua, mas torce para que as pessoas que virão para o mundial no Brasil pelo menos arranhem o português. Por via das dúvidas, o instrutor de mixologia (estudo mais aprofundado da formação das bebidas com temperos diferenciados) e working flair (movimentos e malabares com materiais usados nos bares), Gilmar Saldanha, ensina seus alunos o padrão de coquetelaria internacional, com cursos em inglês, para que Belo Horizonte fique bem na fita.
    Estudar em outro país foi a opção do advogado Frederico Campos, sócio do escritório que leva seu nome. A fluência em inglês abriu caminhos profissionais. Uma peculiaridade dos Estados Unidos é eleger seus promotores de Justiça e ele, na época, conseguiu estágio para atuar como assistente de promotoria. “No fim de 1998 voltei para o Brasil, quando a Usinor estava adquirindo as ações da Previ e era gestora da Acesita. A operação era feita em português, francês e inglês. O advogado chefe da Acesita me convidou para acompanhá-lo e, pela minha desenvoltura no projeto, tornei-me seu assistente.”
    Ele diz que a ideia do intercâmbio partiu de seus pais, que quiseram que os quatro filhos passassem pela experiência. Naquela época ainda era incomum intercâmbios para brasileiros. “As pessoas têm pouca noção do quanto o inglês é importante no mercado de trabalho. Com o seu domínio é possível passar credibilidade. O contrário gera dúvida para o estrangeiro.” Por conta da fluência em inglês jurídico, o escritório de Frederico tem atuação direta com empresas multinacionais. “Foi meu prêmio de loteria, a chave para abrir minha porta para o mundo corporativo.”
    (Originalmente publicado na Revista Viver Brasil)

     

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