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Mercado de trabalho em crise afeta recrutadores

Agências de RH reduzem estruturas

Daniela Maciel

Um dos principais sintomas de desaceleração da economia brasileira é a desaceleração do ritmo da contratação de trabalhadores pelas empresas de diferentes setores. O cenário é preocupante. O quadro adverso alcançou, inclusive, as empresas de contratação de pessoal, que trabalham com recrutamento e seleção para os diferentes estratos corporativos, das vagas mais operacionais até a alta gestão.

De acordo com a Diretora Executiva da Quality Training Recursos Humanos, a economia brasileira passa, sim, por um momento crítico. O país gerou 396.993 vagas de empregos formais em 2014, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número de empregos criados em todo o ano passado representa uma queda de 64,4% em relação às vagas abertas em 2013 – que somaram 1,11 milhão. O recorde de geração, para um ano fechado, aconteceu em 2010, quando foram criadas 2,54 milhões de vagas.

Para Marisa Ayub, isso não quer dizer que as empresas deixaram de demandar. Aquela fase em que as empresas contratavam grandes volumes e faltava mão de obra no mercado realmente passou. “Hoje, elas estão mais cautelosas e buscam contratações mais direcionadas. Oferecem menos vagas e, como há um contingente reserva, procuram por profissionais realmente qualificados, que se encaixem nas necessidades da companhia com menor investimento em treinamento”, explica Marisa Ayub.

Para a gestora, era possível prever que o perfil das contratações mudaria e as empresas que souberam ler o novo cenário com antecedência conseguiram traçar estratégias eficientes. “Há tempos sabíamos que aquela onda das contratações feitas no volume acabaria. As empresas de recursos humanos que se anteciparam intensificaram o relacionamento com as empresas clientes e buscaram soluções criativas para atender seus clientes”, destaca a diretora executiva da Quality.

Conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Minas Gerais (ABRH-MG), Carlos Alberto Caram avalia o momento como grave, porém reversível. “Vivemos um momento muito ruim, com mercado parado. Todos os setores estão ameaçando reduzir o quadro de funcionários. Há mais de dez anos não vivemos um momento tão fraco. As empresas estão recrutando o estritamente necessário e buscando perfis muito mais ajustados. A receita é trabalhar, buscar qualidade e soluções pensadas para o momento”, afirma Caram.

Algumas áreas ganharam projeção justamente por causa da crise. Profissionais de finanças e de vendas são apontados como estratégicos para a saída da crise. “São eles que vendem e que detectam possíveis gargalos e pontos de desperdício. São capazes de aumentar a receita e estancar perdas imediatamente”, analisa o conselheiro da ABRH-MG.

(Texto publicado originalmente no Diário do Comércio, 19/03/2015)

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