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Criar plano pessoal é importante para desenvolver carreira

O historiador Francisco Carlos Teixeira faz uma análise histórica interessante das principais crises brasileiras, tema sobre o qual tratou no Fórum de Presidentes da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) deste ano.

Na palestra, ele falou da crise de 1830 a 1840, quando dom Pedro I se mandou para Portugal e deixou o país nas mãos de seu filho de 14 anos, dom Pedro II, e de seus tutores. Quase o país implode com a proclamação de pelo menos cinco repúblicas, uma em cada estado. A segunda grande crise veio com a morte de Getúlio Vargas, quando, num período de dois anos, o Brasil teve três presidentes antes de eleger Juscelino Kubitschek.

Como saímos dessas crises imensas? Com um plano estratégico que mantinha o foco no interesse comum da nação, formulado por um grupo de líderes que conduziram esse processo pensando num resultado coletivo. E esse é nosso problema hoje: não há um plano que reúna o interesse comum nem líderes para executá-lo.

Essa reflexão macro nos ajuda a pensar sobre nós mesmos. Será que você está seguindo como o Brasil, sem ter um plano estratégico para sua carreira? Será que consegue responder rapidamente às perguntas: “O que você quer para sua vida?” e “Qual seu propósito?” Se não conseguir, é hora de desenhar uma proposta.

Propósito significa fazer uma reflexão profunda sobre o que move você, sobre o que o estimula a acordar mais cedo e a se dedicar com mais afinco. Não me assustaria se, hoje, você dissesse que seu propósito é ganhar dinheiro para sobreviver à crise. Sim, essa é a vida real. Mas não fique preso a isso.

Se você parar de terceirizar suas decisões de carreira e cuidar delas com mais dedicação, seu propósito vai evoluir para estágios superiores ao da sobrevivência e terá vontade de ajudar o país, de escolher trabalhar numa empresa não pelo salário mas pelos valores e para influenciar a comunidade.

Quando você começa a pensar sobre a carreira no médio e no longo prazo, está se transformando num líder de verdade, pois assume o controle de seu desenvolvimento e se sente seguro de seus objetivos e de suas competências — as boas e as habilidades que ainda precisam ser lapidadas.

(Texto originalmente publicado na Revista Você S/A em 27/10/2017).

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    Mercado instável: E agora?

    Os desafios e oportunidades que um profissional de RH vivenciará.Imprevistos - 08 de Novembro

    Já parou para pensar que de tempos em tempos o Brasil vive períodos de instabilidade? O que nós, profissionais de RH, podemos fazer em prol da organização onde atuamos e até mesmo de nossas carreiras?

    Nosso primeiro passo deve ser uma avaliação crítica do cenário econômico, situação da empresa frente a esse momento e nossas perspectivas em curto prazo. Após a análise, há duas possibilidades:

    • Vou permanecer na empresa – Como posso me posicionar de forma estratégica junto ao negócio e prestar suporte aos gestores na tomada de decisão?
    • Vou buscar uma recolocação no mercado – Como devo me preparar para isso?

    Nas duas situações, antes de tudo, é preciso planejamento. Diante de um mercado em crise, temos pouco, ou nenhum direito de errar. Principalmente, quando lidamos com nossa carreira. Pois, na maioria  das vezes, fazemos isso sozinhos, não podendo contar com profissionais que tenham experimentado a mesma situação e possam nos dar direcionamento sobre as melhores decisões a tomar.

    Pensemos então nas possibilidades:

    Vou permanecer na empresa – Como posso me posicionar de forma estratégica junto ao negócio e prestar suporte aos gestores na tomada de decisão?

    Busque informações sobre sua empresa e as alternativas que o RH poderá apresentar diante da situação.

    Como posso apoiar?

    Que tipo de análise tenho condições de apresentar ao gestor?

    Quais são as possibilidades de redução de impacto sobre as pessoas?

    Onde consigo enxergar redução de custo?

    Vou buscar uma recolocação no mercado – Como devo me preparar para isso?

    Avalie quais suas possibilidades junto ao cenário econômico.

    Como está meu currículo?

    Que empresas não foram tão impactadas pela crise e podem absorver de forma adequada meu perfil?

    Qual a faixa salarial trabalhada pelo mercado nesse momento?

    É melhor procurar oportunidades estando empregado, ou desempregado?

    Se mesmo contra minha vontade eu ficar desempregado, por quanto tempo consigo manter minha saúde financeira caso minha recolocação demore?

    Além da minha área de atuação principal, tenho como avaliar outras áreas?

    Após avaliar todos os fatores, “mãos a obra”!
    Elabore um plano de ação que seja pautado em fontes seguras de informação e ferramentas que possibilitem análises precisas. Seu primeiro desafio será identificá-las. Porém, com os dados em mãos, será possível desenhar os possíveis caminhos a seguir.

    Mensure a evolução e os resultados de cada etapa. É preciso definir se as metas propostas estão sendo alcançadas.

    Para toda proposta, construa um Plano A e um Plano B. Em alguns momentos você só saberá que não deu certo quando estiver no meio do caminho e será importante contar com a possibilidade de redirecionar sua estratégia.

    Amplie seus contatos. Busque no mercado/empresa, pessoas que possam servir como mentores e assessorá-lo no processo.

    Nos momentos de crise aprenda a identificar as oportunidades que são criadas, pois os profissionais se destacam não só por sua capacidade de entregar resultados, mas por sua capacidade de inovação, transformação e potencial para superar os desafios.

    A todo o momento nos deparamos com situações que nos fazem refletir e avaliar novas possibilidades. É preciso saber se realmente estamos preparados para o desafio, encarar de frente e avançar para que tudo dê certo.

    MOVIMENTE-SE!

     

     

     

     

    Este material é de propriedade da Quality Training Assessoria em RH e seu uso fica restrito à utilização interna e/ou com prévia autorização.

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    Sondar sempre o mercado traz ganhos

    Para consultores, conferir constantemente as oportunidades de trabalho, mesmo estando empregado, ajuda o desenvolvimento profissional

    A busca contínua por informações a respeito de oportunidades no mercado de trabalho entre pessoas empregadas é vista por muitos consultores de recursos humanos como importante fator de crescimento profissional. Mais do que medo do desemprego, fazer uma autoanálise de suas potencialidades, acompanhar as mudanças no mercado de trabalho e até crescer profissionalmente são algumas das razões apontadas pelos especialistas para as pessoas se submeterem a processos seletivos, mesmo que estejam exercendo uma função em alguma empresa.

    A consultora e coach Samanta Luchini, que é formada pelo Integrated Coaching Institute, considera que a melhor forma de uma pessoa ter uma avaliação fidedigna de sua real situação profissional é submeter-se a processos de seleção. Segunda ela, isso ocorre entre pessoas que claramente não estão ansiando por trocar de emprego. “Na verdade, querem saber se estão evoluindo ou como são vistas fora do seu ambiente de trabalho. Não deixa de ser um processo de autoanálise em que elas verificam como o mercado avalia as suas competências.”

    No entanto, a coach Angélica Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Coaching, diz que há sim quem busque uma troca de empresa. Segundo ela, busca contínua por uma nova oportunidade entre pessoas empregadas ocorre, sobretudo, por parte daquelas que ela enquadra como high potential.

    “São profissionais de alto potencial, abertos a novidades, a novos desafios, que ficam de cinco a sete anos dentro de uma mesma empresa. Eu diria que de dez analistas, coordenadores, gerentes, diretores e presidentes, seis estão de olho no mercado, verificando a possibilidade de encarar um novo cargo, especialmente se a atual empresa não estiver lhes dando o retorno que almejam. Buscam melhor remuneração, pacote de benefícios ou um upgrade na carreira”, afirma.

    Independentemente de buscar ou não uma nova experiência, Samanta é favorável a uma exposição contínua do currículo no mercado, pois entende que toda a resposta a esse gesto serve para o desenvolvimento do profissional. A pessoa acostumada e integrada a um determinado ambiente profissional não tem condições de saber como reagiria em outra situação e nem como é vista fora da empresa, defende a coach.

    “Às vezes o profissional está há 15 anos num mesmo emprego e fica apavorado com a possibilidade de passar por um processo de seleção. Mostro a essa pessoa que ela não tem de temer nada. Pelo contrário, a entrevista de emprego vai contribuir para o seu crescimento, mesmo que a resposta seja negativa. Por isso, aconselho que todos se submetam a entrevistas de emprego pelo menos duas vezes por ano”, diz Samanta.

    O contínuo exercício de exposição ao mercado já garantiu melhores empregos e até mudança de profissão. “Lembro de um profissional que, depois de se submeter a várias entrevistas, virou entrevistador, porque ele aprendeu a conduzir uma boa entrevista de emprego, o que não se aprende na faculdade”, conta. “Por isso, sempre digo para as pessoas não sondarem o mercado apenas quando estão insatisfeitas com o atual emprego ou quando ficam desempregadas.”

    Sondagem. A coordenadora de marketing Ellen Freire Melo, de 35 anos, garante que nos seus mais de 12 anos de carreira sempre procurou ficar atualizada com o que o mercado de trabalho exige e oferece. “Meu comportamento é esse, ficar o tempo todo sondando o mercado, conferindo as novidades e tudo o mais, independentemente de estar empregada ou não. Afinal, a concorrência na minha área é muito grande”, diz.

    Em consequência desse comportamento, Ellen não está ansiosa por estar no momento em que busca uma nova colocação. Para ela, o próprio mercado exige essa prática de estar sempre procurando saber como está o seu setor. “O pessoal de recursos humanos está sempre ligado nas redes sociais. As agências de publicidade procuram preencher suas vagas de olho, principalmente, no LinkedIn e no Facebook. E o mercado é muito dinâmico, mudando a todo momento.”

    Para ela, não basta fazer cursos de atualização a toda hora, aperfeiçoar o inglês e adequar o currículo às novas exigências do mercado. “Você tem mesmo de ficar antenado o tempo inteiro, para não ficar fora do mercado. Tem de fazer cursos de reciclagem, assistir a palestras, comparecer a seminários e ficar atento a novas propostas que possam agregar melhor qualidade de vida e bem-estar para você e sua família.”

    Ellen acha fundamental que as pessoas ativem e ampliem o respectivo networking não só quando estão desempregadas. “O certo é fazer isso sempre para ter visibilidade. E é exatamente isso que tenho constatado na minha rede de relacionamento. Meus amigos e parentes empregados estão sempre se mexendo, atualizando os currículos no LinkedIn, buscando novas informações sobre suas áreas de atuação, preparando-se para sair ou não da zona de conforto.”

    Curiosidade. Por conhecer pessoas que encontraram empregos melhores mesmo estando numa boa fase na empresa a que estavam ligadas, a consultora Samanta aponta a persistência na pesquisa de emprego como algo bastante produtivo. Ela considera difícil definir o perfil desses profissionais. Porém, diz que pelos casos que acompanha, são pessoas com inconformismo construtivo e com maior nível de curiosidade e flexibilidade.

    Outra boa razão para sempre estar de olho num possível novo emprego é evitar o nível de tensão que sempre acompanha os primeiros meses numa nova jornada de trabalho. “É justamente o temor de passar por esses primeiros meses que faz com que muitas pessoas se acomodem, evitando enfrentar novos desafios até mesmo quando estão insatisfeitas com o trabalho ou empresa em que estão.”

    (Originalmente publicado em 11/01/2015  na coluna Radar de Emprego do Estadão)

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    Deixar de acompanhar o seu progresso profissional é prejudicial

    Coaching de Carreira - 07 de março

    Fazer um acompanhamento constante do seu progresso é crucial para entender quais são as suas falhas e onde você precisa se esforçar mais.

     

     

    Por Universia | infomoney.com.br

    Não importa qual seja a sua área de atuação, você provavelmente deseja atingir metas e objetivos. Afinal, a principal motivação de um profissional competente deve ser contornar obstáculos e aceitar novos desafios. Porém, algumas pessoas passam muito tempo sem fazer auto avaliações e não sabem, de forma concreta, o quanto já progrediram em seus projetos.

    Isso acontece porque muitos têm mede de perceber que estão indo para a direção errada, ou que não avançaram o quanto imaginavam. Esse tipo de decepção pode ser muito forte em alguns profissionais e, ao invés de animá-los, pode deixá-los desanimados e com vontade de desistir. E o pior: geralmente, as pessoas que mais precisam de auto análise são as que menos fazem isso.

    Fazer um acompanhamento constante do seu progresso é crucial para entender quais são as suas falhas e onde você precisa se esforçar mais. Quando você descobre onde está errado, é necessário sair da zona de conforto e mudar a sua forma de trabalhar. Por mais desanimador que isso seja, é essa mudança de paradigma que irá deixá-lo mais próximo do sucesso.

    Além disso, acompanhar o andamento do seu trabalho é a melhor maneira de não entregar resultados ruins. É muito melhor que você veja, com antecedência, que o seu trabalho não está bom, do que perceber isso pouco antes da data limite de entrega.

    Se você ainda não se sente preparado para acompanhar de perto seu desempenho, uma solução para isso é pedir para que um amigo de confiança faça isso por você. Peça para que ele seja honesto em relação ao seu trabalho e diga onde você está errando e em que aspectos deve melhorar. Mas fique atento: a pessoa deve ser alguém que entenda a sua área de atuação e seja realmente de confiança. Senão, você corre o risco de piorar ainda mais o seu trabalho.

    Perceber que você está fazendo as coisas de maneira errada pode ser doloroso, à princípio. Porém, depois que os resultados positivos começarem a aparecer, você verá que são essas auto análises que irão ajudá-lo a ser um profissional de sucesso. Não tenha medo de assumir seus erros, acompanhe o seu progresso profissional e fique mais próximo de atingir os seus objetivos.

    Pense nisso!

     Publicado originalmente no site (www.infomoney.com.br).

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    Chegou a hora de se planejar

    Dicas para o seu planejamento para 2014

     

    Entra ano e sai ano, conquistas que ainda continuaram em sua meta ou novas que virão com o novo ano, então, é preciso que você avalie o que passou neste ano e o que virá no próximo. Você conseguiu cumprir aquela desejada meta no ano passado? Caso a resposta seja sim, parabéns, mas há muitas pessoas que não conseguiram alcançar a conquista desejada, e isso deve-se a realização de algo de forma errada. O quê? Como fazer para que você consiga realizar neste novo ano o seu sonho? Não importa a meta para o próximo ano, é preciso que você primeiramente realize um planejamento pessoal, e para isso é muito simples, basta verificar as dicas listadas logo abaixo:

    – Faça uma revisão do que é importante para você: Para que você não perca tempo à toa no próximo ano é preciso ter foco, assim questione-se sobre o que realmente é importante e o que deseja para o novo ano, mas responda sem dúvidas e com clareza. Quais são as atividades que você deverá dar ênfase no próximo ano? Quais serão as que ganharão destaque? Para auxiliar você nesta tarefa, crie uma lista com as atividades em “Foco” e outra de “Stops”, e em seguida conclua a mesma crie uma lista das prioridades, ou melhor, de maior importância. Desta forma, olhe para os cinco primeiros itens desta lista e planeja um plano de ação em sua agenda sobre cada item, independente qual seja ele.

    – Não tenha vergonha, use uma agenda: É indicado que você passe a utilizar uma ferramenta simples e prática que lhe ajude a centralizar todas suas metas, e para isso não há nada melhor do que uma agenda.

    – Não exagere na quantidade de metas: Fazer uma grande quantidade de planos poderá lhe atrapalhar na realização dos mesmos, por isso, não adianta de nada criar muitos planos. Desta forma, é preciso que você foque gradativamente em seus objetivos durante todo o ano, no entanto, é preciso que os mesmos sejam viáveis e relevantes. Como roteiro, saiba realmente o que você quer, saiba o quanto será necessário investir, e por fim, define-as. É interessante também que você crie uma lista do tempo de curto ou em longo prazo e de ações práticas para a realização de suas metas.

    – Crie um ponto de controle: Este é um fator importante que muitos se esquecem, ou melhor, é preciso que você faça uma reunião consigo mesmo a cada bimestre, por exemplo, para uma revisão de suas metas, de seus “Focos” e “Stops”. Realizando esta tarefa você amenizará as chances de que a sua meta seja esquecida ou até mesmo cumprida.

    – Fale e desabafe com alguém de confiança sobre suas metas: É indicado que você escolha uma pessoa próxima para dividir seus objetivos, para que a mesma ajude a manter seu nível de confiança, questione sobre seus planos e motivação. Tenha sempre um amigo por perto para lhe auxiliar no controle de seus objetivos.

    – Coloque você em seu ano: Quanto mais tempo você tiver para si mesmo, maior será a energia para a realização de seus planos para o novo ano, sendo que é preciso que você inclua neste meio tempo atividades para lazer, prática de atividades físicas ou atividades para que você consiga “recarregar suas energias”.

     Publicado originalmente no blog (www.blogdicas.net).

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    Acreditar em si – O primeiro passo para alcançar metas e superar sonhos

    Acreditar em si - 15 de NovembroViver do passado não leva a lugar algum e dar o primeiro passo rumo à mudança faz todo o diferencial seja no âmbito pessoal e/ou profissional.

     

     

     Por Patrícia Bispo | rh.com.br

    Mais uma vez, estamos próximos à chegada de um Ano Novo. Diante disso, muitas pessoas começam traçar metas, a fazer uma listagem de sonhos que desejam realizar, mas que nunca conseguiram concretizar por inúmeras razões. O fato é que viver do passado não leva a lugar algum e dar o primeiro passo rumo à mudança faz todo o diferencial sejam no âmbito pessoal e profissional. Para falar sobre superação realização de conquistas e quais são as principais ferramentas que estão disponíveis para o desenvolvimento individual, o RH.com.br entrevistou José Roberto Marques – fundador e presidente do IBC (Instituto Brasileiro de Coaching).
    Na visão de José Roberto Marques, a proximidade da chegada do Ano Novo pode servir de estímulo para as pessoas darem uma guinada, principalmente no campo profissional. Esse comportamento, segundo ele, está relacionado à cultura do brasileiro, porém podem utilizá-la ao nosso favor. O segredo é ter foco e determinação, e o principal – ação. Esse é o outro problema, as pessoas sonham, planejam, mas não executam.

     RH.com.br – Quando o Ano Novo aproxima-se as pessoas costumam traçar metas, inclusive no campo profissional. A “vira do calendário” é um estímulo para os talentos brasileiros?

    José Roberto Marques – Podemos dizer que sim. Na verdade é uma coisa cultural do brasileiro, porém podemos utilizá-la sim a nosso favor. O maior problema é que muitas vezes esses sonhos e desejos morrem no carnaval. O segredo é ter foco e determinação, e o principal – ação. Esse é o outro problema, as pessoas sonham, planejam, mas não executam. No próximo ano vou malhar, parar de comer gordura, tomar refrigerante, vou começar um curso de inglês, vou terminar de ler aquele livro. Para iniciar bem o ano, comece agindo. A decisão é o primeiro passo para gerar ação. Não basta apenas querer, é preciso decidir e agir em prol dos objetivos pretendidos. Se a meta é malhar, por exemplo, faça sua matrícula em uma academia. Se a intenção é parar de comer gordura e tomar refrigerantes, procure uma nutricionista que indicará outras opções mais saudáveis, evitando que você caia em tentação. Se você pretende começar um curso de inglês, que tal se preparar antes? Se o desejo é terminar o livro, que tal estipular um prazo para concluí-lo? O importante é criar estratégias para que cada desejo e sonho sejam, efetivamente, cumpridos.
    “O ser humano só conquista o que deseja quando se permite conhecer-se e transformar atitudes e comportamentos que o impedem de alcançar algo em uma poderosa força motivadora para conquistar tudo o que deseja. E é exatamente esta a proposta do Coaching, acelerar resultados rápidos, permanentes e duradouros em qualquer contexto, seja ele pessoal ou profissional”, acredita o presidente do IBC. Durante a entrevista ao RH.com.br, José Roberto Marques apresenta muitos outros pontos relevantes para quem deseja começar 2014 com o pé direito e ter boas conquistas! Tenha uma agradável leitura!

     RH – Muitos profissionais também se deparam com uma incógnita: como e onde investir no desenvolvimento de carreira? Qual o passo inicial para os que buscam dar uma guinada profissional?

    José Roberto Marques – Primeiramente qualquer profissional deve ter um plano de carreira bem definido. O planejamento feito através do Coaching fará com que ele obtenha uma visão sistêmica de sua carreira de maneira a enxergar o mercado, sua vida financeira, pessoal, além da definição clara de seus objetivos e metas, bem como suas maiores competências, pontos positivos e de melhoria que farão com que haja um desenvolvimento contínuo, aprimoramento de competências e potencialização pessoal e profissional. Além disso, com o auxílio do Coaching ele conquistará diversas aptidões fundamentais para melhorar seu desempenho enquanto profissional como uma liderança eficaz, organização, criatividade, comunicação, gestão de tempo, foco, entre muitos outros.

     RH – Nos últimos anos, o mercado brasileiro observou o surgimento de muitos recursos direcionados ao desenvolvimento de carreira. Entre eles, encontra-se o coaching. O que esse instrumento oferece de tão diferenciado em relação a outras metodologias?

    José Roberto Marques – Autoconhecimento. O ser humano só conquista o que deseja quando se permite conhecer-se e transformar atitudes e comportamentos que o impedem de alcançar algo em uma poderosa força motivadora para conquistar tudo o que deseja. E é exatamente esta a proposta do coaching, acelerar resultados rápidos, permanentes e duradouros em qualquer contexto, seja ele pessoal ou profissional. O coaching é uma metodologia de desenvolvimento humano que visa a conquista de metas e objetivos em um curto espaço de tempo. O Coaching é um processo diferente de outras metodologias, pois a partir do comprometimento total do cliente com seu processo, os resultados são extraordinários e percebidos rapidamente.

     RH – O que deve esperar um talento que opta pelo Coaching como instrumento de desenvolvimento de carreira?

    José Roberto Marques – Resultados rápidos e ser surpreendido pela sua própria experiência de vida, pelos seus valores e anseios. A conquista do autoconhecimento, do autodesenvolvimento e da autoestima para ser o condutor de sua própria vida e carreira. Além de uma infinidade de competências que farão com que ele desenvolva rapidamente o seu potencial infinito.

     RH – Os benefícios do Coaching são rapidamente perceptíveis pelos profissionais que recorrem a esse processo de desenvolvimento?

    José Roberto Marques – Sim, pois ele tomará uma nova postura e terá em mãos, a cada sessão, tarefas a cumprir, sendo que se ele não às executar não chegará ao resultado esperado. Tendo consciência disso, são altíssimas as chances de sucesso. O Coaching só é Coaching se houver resultados e, para isso, é necessário total comprometimento do indivíduo com as sessões, seu Coachee e suas tarefas a cumprir.

     RH – O Coaching veio para todo profissional, independentemente do segmento de atuação?

    José Roberto Marques – Sim, qualquer profissional que deseja alcançar seus objetivos através de desenvolvimento pode utilizar oCoaching. Uma pesquisa da Harvard apontou que para se obter sucesso profissional 15% se dá a conhecimentos específicos, e os outros 85% a habilidades. O Coaching possui diversos nichos, uma modalidade para qualquer área que um indivíduo desejar desenvolver, seja ela pessoal, profissional, organizacional, familiar, esportiva, social, espiritual, entre outras.

     RH – Quais as principais dúvidas que ainda “rondam” os profissionais em relação ao coaching?

    José Roberto Marques – O Coaching é uma metodologia nova no Brasil, o nome em inglês, e os resultados efetivos ainda são desconhecidos por muitas pessoas. Mas, aos poucos estamos caminhando para propagar a filosofia do coaching em todo o Brasil. Nosso desejo é que mais e mais pessoas, profissionais, equipes e organizações conheçam esta poderosa metodologia e saibam como suas vidas podem ser transformadas a partir de uma única decisão: fazer Coaching!

     RH – O processo de Coaching torna o profissional mais competitivo?

    José Roberto Marques – Sim. O profissional estará mais certo de suas aptidões e competências. Estará seguro em suas convicções e valores, saberá exatamente o caminho que trilhará para alcançar seu objetivo.

     RH – Para os que buscam se aprimorar como líderes, o Coaching tornou-se um processo indispensável?

    José Roberto Marques – Sim, por ser um processo rápido ele passou a ser bastante utilizado por profissionais que desejam ou já ocupam cargos de liderança, como gestores, diretores e executivos. Isso se dá pelo fato de que o Coaching não só dá ao profissional as ferramentas e o conhecimento, para que ele se aprimore e tenha uma liderança mais efetiva, mas também para que desenvolvam outras pessoas, no caso seus subordinados.

     RH – E para aqueles profissionais que ainda têm em dúvidas em escolher um instrumento com foco no desenvolvimento de carreira, que conselhos o senhor pode deixar registrados?

    José Roberto Marques – Todas as respostas estão dentro de você. Você precisa se conhecer para assim poder traçar um plano de carreira assertivo, que alinhe sua vida profissional e pessoal.

     Publicado originalmente no site (www.rh.com.br).

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    Planejamento de Carreira

    Planejamento de Carreira - 12 de agosto

    Quem planeja a carreira torna-se um profissional proativo!

     

     

    Por Patrícia Bispo | rh.com.br

     

    Uma carreira promissora exige muito mais do que almejar conquistas e se inspirar em profissionais que fazem a diferença. Logicamente que esses dois fatores estão naturalmente relacionados às aspirações de muitos talentos, mas é preciso algo a mais para tornar sonhos em realidade. Um passo relevante para ter êxito na trajetória profissional é focar-se no planejamento de carreira, pois dessa forma o indivíduo poderá fortalecer ainda mais as competências que domina, bem como tornar-se capaz de identificar “armadilhas” que o levem a resultados negativos.

    Para o professor Joel Dutra, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e diretor geral do Departamento de Recursos Humanos da Universidade São Paulo (USP), a cultura brasileira leva os profissionais a aproveitarem as oportunidades que surgem, o que os leva a ter um comportamento mais reativo. “Quem planeja sua carreira tem um diferencial competitivo importante. Entretanto, planejar a carreira não é algo fácil, já que a maior parte das pessoas não teve qualquer estímulo nessa direção junto à família e em sua formação escolar”, justifica Dutra que também é autor do livro “Gestão de Carreiras na Empresa Contemporânea”, Editora Atlas. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Joel Dutra pontua, ainda, quais são as principais fases do planejamento de carreira e assinala quem deve dar respaldo ao profissional, durante esse processo.

    Confira a entrevista e aproveite a leitura para refletir se sua carreira precisa ou não tomar um novo rumo!

    (Originalmente publicado no site www.rh.com.br)

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    Qualidade de vida no trabalho

    O bom humor faz bem, inclusive no trabalho

     

    Por Patrícia Bispo | RH.com.br

    É inegável que cada vez mais as pessoas são submetidas a ambientes estressantes. Basta apenas parar e observar o comportamento dos motoristas em horário de pico. Raras são as fisionomias que em um trânsito lento mostram-se “leves” e sem testas franzidas. Quando se chega ao trabalho, o indivíduo pode deparar-se apenas com a rede da internet lenta, por uns minutos, mas isso é suficiente para fazê-lo “soltar fumaça” pelas narinas e considerar que todo o seu dia de trabalho será um verdadeiro caos. O remédio para aliviar toda essa tensão pode simples e não custa um único centavo: sorrir um pouco.

    O simples ato de rir ajuda, por exemplo, o ser humano a liberar serotoninas e endorfinas – neurotransmissores que se disseminam por todo corpo e que proporcionam uma imensa sensação de bem-estar e prazer. A teoria de que sorrir faz bem a qualquer um, independentemente da idade, não é recente e tem sido adotada até em alguns casos que auxiliam no tratamento de pessoas enfermas. Um filme que retrata muito bem essa linha de pensamento é “Patch Adams – O Amor é Contagiante” (1998), uma comédia dramática, dirigida por Tom Shadyac, que levou às telas o ator Robin Williams que interpretou um famoso médico norte-americano.

    Para ajudar os colaboradores a enfrentarem tanto os problemas organizacionais quanto os pessoais com alguma leveza, algumas empresas apostam no bom humor e dão uma “força extra” para que eles encontrem tempo para dar um sorriso e compreendam que viver não significa, obrigatoriamente, estar “ligado” numa alta voltagem. Na LG Sistemas – empresa que atua no segmento tecnológico, o bom humor faz parte dos valores organizacionais e está inserido no dia a dia de cada talento. De acordo com Karina Pimentel, gerente de RH, o aumento da competitividade, ocasionado pelo evento da globalização e pela acirrada corrida empresarial em busca da manutenção das suas sobrevivências neste novo cenário, acarretou em um ambiente de trabalho de maior pressão e consequentemente trabalhadores com maiores níveis de estresse e ansiedade.

    Esses dois vilões do bom humor, o estresse e a ansiedade, contribuíram para uma significativa piora dos relacionamentos interpessoais, o que gerou uma predisposição maior para a presença de conflitos no ambiente corporativo e a instalação de doenças ocupacionais. “Diante desse contexto, as organizações começam a investir em políticas de qualidade de vida no trabalho. Posterior a isso, percebem-se investimentos em políticas de qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho, ou seja, as organizações passaram a adotar uma visão holística dos seus colaboradores, preocupando-se também com o bem-estar deles, mesmo quando os colaboradores não estão trabalhando. Atualmente, percebem-se também investimentos em políticas e estímulos ao bom humor, além de total combate ao mau humor dentro e fora da organização”, avalia a gerente de Recursos Humanos.

    Ao ser indagada sobre as razões que levaram a LG Sistemas a investir no bom humor, ela afirma que não houve um fato relevante, pois esta prática está inerente à cultura da empresa e a companhia acredita verdadeiramente que um ambiente de trabalho alegre torna o dia a dia dos colaboradores mais agradável, uma vez que todos estão comprometidos com os resultados. Além disso, continua a gerente de Recursos Humanos, é de conhecimento de todos que o bom humor é um grande aliado da saúde e, consequentemente, da melhoria da produtividade. Ou seja, pessoas bem humoradas contaminam positivamente o ambiente.

    O bom humor – Mas, afinal o que é ser um profissional bem humorado? Karina Pimentel explica que é fácil notar um colaborador com bom humor. Geralmente, ele é uma pessoa educada, gentil e sempre está com um sorriso no rosto ao lhe cumprimentar. Mas a característica mais forte desse talento é ser otimista, mesmo diante de situações adversas e, mais que isso, ele consegue respostas rápidas e criativas para essas mesmas situações. Profissionais bem humorados são perseverantes, mesmo em tarefas que exijam mais, possuem bom relacionamento interpessoal na empresa e constroem vínculos de amizades com os colegas, inclusive fora da organização.

    A gerente de RH afirma que sem a menor sombra de dúvidas, é missão de qualquer profissional de Recursos Humanos é ser o guardião e o mantenedor do clima organizacional das empresas. “E na LG Sistemas não é diferente. Estamos sempre atentos ao clima da empresa e de cada departamento. Contamos imensamente com a parceria dos nossos gestores, que são os responsáveis diretos por contribuir significativamente com o equilíbrio e harmonia nos seus respectivos departamentos, sinalizando e acionando o RH sempre que necessário”, assinala, ao acrescentar que a principal ação para estimular o bom humor internamente se reflete através do exemplo dado por cada líder. Ela diz que é impossível desvincular o bom humor da figura do gestor. Então, primeiramente, a área de RH trabalha toda potencialidade dos gestores e sua capacidade criativa e de relacionamento interpessoal através do Programa Academia de Líderes que além das sessões de coaching individuais, oferece oportunidade em treinamentos comportamentais inerentes à liderança que atua na organização.

    Ações – Outra prática importante que reflete no “estado de espírito” dos funcionários é o investimento no Programa LG Mais Vida que visa desenvolver hábitos saudáveis dos colaboradores. Afinal, é comprovado que uma alimentação saudável, associada à prática constante de exercícios físicos e uma boa noite de sono, é uma perfeita combinação que garante o bom humor.

    Estar atento ao clima e ter ferramentas que possibilitem que os colaboradores comuniquem qualquer assunto, ajudando a manter o bom ambiente de trabalho, também é uma das ações que priorizadas através da prática Comunicar – onde são disponibilizados vários canais em que os colaboradores podem se comunicar com a empresa e vice-versa. “Temos diversas ações e programas que promovem integração e também a descontração, estimulando o bom humor no ambiente corporativo como, por exemplo, as Quintas Culturais, o Integra LG e o Coral LG”, sinaliza Pimentel.

    Engajamento e Humor – Para a gerente de RH, o engajamento em uma equipe bem humorada é mais fácil do que em um time que não tem essa prática. O cuidado que se deve ter é com o limite das pessoas e os tipos e momentos para brincadeiras, mas isso depende da dinâmica e maturidade dos profissionais. Além disso, ela salienta o bom humor traz diferenciais significativos.

    “É comprovado pela ciência que o bom humor tem impactos positivos na saúde. Se tivermos pessoas mais saudáveis, certamente teremos menor número de afastamentos por doenças. Além disso, se torna mais fácil desenvolver e manter competências importantes que auxiliam na busca de melhores resultados para organização em pessoas bem humoradas. Acredito que o ganho mais visível para a Gestão de Pessoas é o clima de trabalho, pois o colaborador e as equipes bem humoradas conseguem contaminar positivamente o ambiente em que estão, se comunicam de forma mais assertiva, estabelecem bons relacionamentos interpessoais e ajudam a eliminar tensões do dia a dia”, diz a gerente de RH.

    Karina Pimentel reforça, ainda, que quando fala estrategicamente em Gestão de Pessoas, refere-se em contribuir com o negócio da empresa através da redução de turnover, maior atratividade de pessoas, baixas taxas de absenteísmo, resultados e entregas mais criativas e pessoas verdadeiramente engajadas no negócio. Todos esses fatores também são consequências de um bom clima organizacional e, sem dúvida, indicadores significativos para o negócio de qualquer organização.

    Ela cita que não é necessário ter qualquer técnica mirabolante ou ações com elevados custos para cultivar o bom humor no ambiente de trabalho. As pessoas precisam, primeiramente, estar bem consigo mesmas e isso é possível através de uma rotina de hábitos saudáveis como, por exemplo: boa alimentação, prática esportiva regular, boas noites de sono e horas de lazer.

    Por outro lado, cabe às organizações desenvolverem ambientes de trabalho fundamentados em respeito ao próximo e confiança e estimular a prática do bom humor, trabalhando e preparando as lideranças para esse novo conceito empresa, para receberem as novas gerações de colaboradores que estão chegando ao mercado. Ações pontuais que permitam o estímulo constante ao desenvolvimento de hábitos saudáveis, integrações entre colaboradores e, claro, total atenção a qualquer ponto fora da curva também complementam o trabalho de estímulo ao bom humor no ambiente de trabalho.

    “Para os profissionais que atuam na área de Recursos Humanos, fica a missão de serem guardiões do clima organizacional e formarem e informarem aos seus colaboradores a diferença entre práticas efetivas de bom humor e ambiente de descontração, orientando sobre as posturas ou brincadeiras inadequadas que vão totalmente contra o bom clima de trabalho”, conclui Karina Pimentel.

    (Originalmente publicado no site www.rh.com.br)

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    É possível começar uma carreira de sucesso depois dos 30 anos

    Rachel Sciré

    O dia de Rodolfo Gutilla, 50, parece ter mais do que 24 horas. Diretor de assuntos corporativos da Natura, ele também é presidente do conselho da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), vice-presidente da Associação da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Beleza e da Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas, além de atuar como conselheiro em várias organizações. Nas horas vagas (ou seriam “horas extras”?), Gutilla dedica-se à Literatura – é autor de livros de poemas, literatura infantil e ensaios.

    Gutilla trabalha entre 10 e 12 horas, dividindo as tarefas entre a sede da Natura, em Cajamar (SP), os escritórios de fornecedores e parceiros, e sua casa.  O dia a dia envolve atividades de representação, viagens, relacionamento com a imprensa e o governo e criação de materiais institucionais, entre outras coisas.

    Mas ele nunca pensou que seria um executivo. Gutilla é formado em Jornalismo e mestre em Antropologia. Conciliou a carreira na imprensa com a vida acadêmica e até fez militância sindical como professor. Na entrevista a seguir, ele conta sua trajetória até o topo do mundo corporativo.

    Vida de estudante

    Eu nunca fui bom aluno, era dispersivo, mas gostava muito de ler, era um pouco introspectivo. Repeti de ano duas vezes. Depois eu fiz faculdade de Comunicação e, logo em seguida, ao perceber que eu tinha um inclinação para Ciências Sociais, fui fazer o curso na PUC-SP. Fiz pós-graduação e mestrado em Antropologia.

    Começo de carreira

    Eu me formei em 1985, em Jornalismo, e fui da primeira turma do treinamento da Folha de S.Paulo, que nem se chamava assim na época.  Tive a oportunidade de aprender com grandes mestres do jornalismo e um grupo muito talentoso que trabalhava lá. Mas percebi que o jornalismo diário não me emocionava, não me fisgava. Era tudo muito rápido e relativamente superficial. Eu queria mergulhos mais profundos, então fui fazer um outro tipo de jornalismo mais segmentado. Trabalhei em revistas e publicações, como a Casa Vogue. Depois passei a me interessar muito pela Academia, por lecionar, dividindo então o meu tempo entre o jornalismo e a atividade de professor. Eu dei aula por seis anos de Antropologia e Edição no curso de Jornalismo, foi muito gostoso.

    Atuação sindical e mudança para o universo corporativo

    Eu comecei a lecionar porque tenho uma vocação muito grande para essa área, mas a remuneração do professor no Brasil é baixa, na época era ainda pior. Então eu acumulava atividades de jornalismo e de relações públicas, fazendo projetos, planos de comunicação, matérias, reportagens – freelancer, de modo geral. Eu era delegado sindical dos professores e nós promovemos a primeira greve no sistema educacional em que trabalhava. Todos entenderam o nosso pleito e obtivemos ganho de causa no Tribunal do Trabalho, mas depois a discussão com os donos da faculdade foi muito tensa, então surgiu uma oportunidade em uma agência de relações com a imprensa. Lá eu aprendi a fazer projetos e depois fui convidado para ser o supervisor de relações com a imprensa de um dos clientes. Foi assim que comecei a atuar no mundo empresarial.

    Sobre entrar mais tarde no mercado de trabalho

    Eu iniciei minha carreira no mundo corporativo depois dos 30 anos ou um pouco antes. Eu vejo essa idade como um momento especial, porque aos 30 anos você está muito preparado, está numa fase da vida em que já está mais pronto e maduro para uma nova etapa mais desafiadora, que pode ser uma mudança radical, como eu fiz, vindo do mundo acadêmico para o mundo corporativo, ou uma promoção que te leve a um nível de maior responsabilidade dentro da organização. O importante é que você tenha claro quais são as competências que você tem para enfrentar esse desafio. Às vezes é preciso arriscar e dar um passo maior que o outro, sem ousadia você corre o risco de ficar fazendo a mesma coisa para o resto da vida.

    Dia a dia na empresa

    Tenho uma jornada de trabalho que demanda muito, trabalho em torno de 11, 12 horas por dia, viajo bastante. Trabalho aqui, em algum escritório onde vou estar (seja de um fornecedor ou de um parceiro de negócios) e outra parte do dia eu trabalho em casa, à noite. Eu cuido da área de assuntos corporativos, que, em resumo, envolve as relações com a imprensa, com formadores de opinião, a produção de materiais institucionais, mas também tomam bastante parte do meu tempo as relações com o governo.

    Lazer

    Eu escrevo, sou poeta e faço ensaios sobre Literatura. Tenho perseguido esse desejo de escrever e já publiquei alguns livros. Quero acreditar que daqui a alguns anos vou poder dedicar mais tempo a essa minha vocação. Gostaria de construir uma segunda trajetória nesse campo.

    Literatura e Antropologia em relação ao mundo empresarial

    A Antropolgia ensina a compreender os sistemas simbólicos, as narrativas mitológicas, as organizações de uma determinada cultura. A empresa é um agrupamento social, ela tem seus próprios rituais, seu mito de origem, suas próprias narrativas. A Antropologia ajuda a navegar no ambiente corporativo e a criar as narrativas para que os outros compreendam qual é o propósito e a vocação social desse empreendimento. A Literatura, onde o resultado também é uma narrativa, ajuda a construir e compreender outras narrativas sobre o indivíduo, no ambiente empresarial e em relação com os seus pares, e a empresa, em relação aos seus múltiplos públicos. O que me levou à Antropologia e o que me faz escrever é essa paixão que eu tenho pelas narrativas, pelos símbolos.

    Diferencial na carreira

    O que eu acho que fez diferença foi ter feito uma boa faculdade de Ciências Sociais, um bom curso de pós-graduação e um mestrado com muita aplicação. Parte do que sou hoje, devo à segunda formação.

    Futuro profissional

    Eu nunca me preparei para ser um executivo, sempre para ser professor. Eu fiz muito trabalho de campo, pesquisa etnográfica e acabei me tornando um executivo. Daqui pra frente, eu planejo atuar na área de assuntos corporativos pelos próximos 10, 12 anos, porque isso demanda muita energia, esforço físico inclusive. Depois eu gostaria de voltar a estudar, quero fazer doutorado e voltar para a vida acadêmica, além de continuar escrevendo. E se julgarem que eu tenho alguma competência para isso, eu posso ser conselheiro no futuro, seja na área da comunicação ou na de relações institucionais.

    Conselhos a um jovem profissional

    Instrua-se, eduque-se, faça mais de uma faculdade, se puder, faça pós-graduação, mestrado, MBA. Permaneça atualizado. Faça cursos de extensão universitária, de atualização. Faça cursos mais estruturantes, porque a técnica você acaba aprendendo no dia a dia. Além disso, relacione-se. Esteja sempre buscando novos contatos, saiba quem são as lideranças das empresas, procure identificar os valores que te inspiram em um determinado executivo – procure conhecer pessoas e estilos diferentes de gestão. Tenha uma disposição permanente para o aprendizado cotidiano, não se aliene. Por fim, trabalhe muito, porque tem sempre alguém que vai trabalhar mais do que você, mas não perca de vista que você tem família, amigos e uma outra vida para construir.

    Para saber um pouco mais, assista o vídeo da entrevista clicando aqui.

    (Publicado originalmente no ClickCarreira, 15/06/2012).

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    A boa negociação não aceita improvisos

    Rafael Sigollo

    Criatividade, flexibilidade, capacidade de reagir a mudanças e de se adaptar rapidamente aos mais diferentes cenários. Estas características, embora sejam muito valorizadas nos executivos brasileiros, podem resultar em excesso de autoconfiança e produzir um efeito colateral bastante perigoso na hora de negociar: a falta de planejamento. Deixar para resolver as coisas na última hora, improvisar ou esperar para “ver o que acontece” antes de agir acaba inevitavelmente em negociações com resultados ruins. O reflexo dessas atitudes foi detectado pelo levantamento global realizado recentemente pela rede profissional LinkedIn com 2 mil profissionais. O estudo revelou que 21% dos brasileiros admitiram sentir medo de negociar, maior índice entre os oito países participantes.

    Para Antônio André Neto, professor e coordenador do MBA executivo em gestão estratégica e econômica de negócios da FGV Management,  preparar-se adequadamente é o primeiro passo para ser bem-sucedido em qualquer tipo de negociação. Além de definir com clareza quais são seus objetivos, limites, estratégias e o que pode ser colocado em jogo, é preciso conseguir também o máximo de informações sobre quem vai estar do outro lado da mesa. “Quais os interesses dessa pessoa, qual é o local e quanto tempo terá a reunião?” são variáveis que podem fazer diferença e pegar de surpresa o executivo mais incauto. Na opinião de Neto, ouvir mais do que falar e saber fazer as perguntas certas também é essencial para conhecer melhor o interlocutor e suas motivações. “Todos os envolvidos precisam ter a sensação de que estão fazendo o melhor acordo possível.”

    Heraldo Marchezini, presidente da indústria farmacêutica Sanofi Aventis no Brasil e na América Latina, concorda. “O mais importante é entender o outro profissional e não ficar só pensando no seu lado.” O executivo fala com propriedade no assunto, pois participou ativamente da compra do laboratório Medley, em 2009. “A Sanofi foi uma empresa que cresceu com mais de 300 aquisições.”

    José Roberto Ribeiro do Valle, sócio-presidente da Scotwork Brasil, consultoria multinacional focada em negociação, afirma que outra consequência da falta de planejamento é deixar o lado emocional afetar o racional. “Dependendo do interesse, alguns negociadores podem agir de forma agressiva propositalmente para se impor e diminuir o que está sendo oferecido a eles. Isso fragiliza a outra pessoa e faz com que ela perca o controle da situação”, alerta.

    Outra armadilha é ficar sem espaço de manobra e ter que decidir sob pressão. Valle exemplifica com um caso real de um executivo que viajou para fechar a compra de uma empresa no exterior. “Ele foi recebido por um grupo que manteve sua agenda repleta de atividades, como reuniões de exposição e excursões à fábrica e à cidade. A negociação em si foi deixada para o último dia, quando praticamente já não havia mais tempo para argumentar, refletir e pensar sobre a proposta feita.”

    Para José Drummond Jr., presidente da Whirlpool na Europa, Oriente Médio e África, não concretizar um negócio precisa ser sempre uma opção possível. “Você só vai comprar bem um carro se estiver preparado para não comprá-lo. Quando se está apavorado ou precisando fechar o negócio de qualquer maneira, nunca se consegue o melhor acordo”, ressalta.

    Embora alguns profissionais tenham mais dificuldade em conduzir negociações do que outros, os especialistas afirmam que é possível praticar, desenvolver habilidades e suprir deficiências. G. Richard Shell, autor do livro “Negociar é preciso” (Negócio Editora), professor da escola de negócios americana Wharton, da Pensilvânia, e fundador e diretor acadêmico do workshop de negociação executiva na instituição, afirma que negociar é como falar em público. “Você pode fazer isso muito bem de forma intuitiva. Mas pode se tornar excelente se buscar orientação e entender como funcionam os mecanismos por trás dessas práticas.”

    Consultor, conselheiro de empresas e autor de um livro sobre o assunto, Carlos Alberto Júlio destaca que, ao se aprofundar no estudo de técnicas e de modelos de comportamento, as pessoas se sentem mais seguras e confiantes na hora de colocar as cartas na mesa. Em sua opinião, muitos profissionais conseguem se sair relativamente bem durante o processo, mas mesmo os mais experientes costumam falhar na hora crucial de “fechar o negócio”. “É essencial saber como e quando concluir um acordo. Caso contrário, corre-se o risco de se estender desnecessariamente e colocar tudo a perder. É preciso repassar os tópicos discutidos, resumir o que foi combinado, acertar os detalhes e manter o foco.”

    Com os mercados e as empresas se tornando cada vez mais globais, reuniões de negócios entre participantes de nacionalidades diversas já entraram na rotina dos executivos do alto escalão. Nesses casos, além de contar com o apoio de tradutores especializados, é essencial levar em conta os fatores culturais. “O cuidado deve ser redobrado para evitar mal-entendidos e não desrespeitar religiões, tradições e crenças”, diz Shell. Os brasileiros, por exemplo, gostam de puxar assuntos amenos no início de uma conversa para tentar “quebrar o gelo” e criar empatia antes de entrar no assunto que realmente interessa. “Já os americanos e ingleses são mais objetivos e julgam que essa abordagem mais pessoal é perda de tempo”, afirma Valle.

    O diretor-executivo da empresa de desenvolvimento organizacional Enora Leaders, João Marcelo Furlan, sentiu na pele as dificuldades e as particularidades de se sentar à mesa com profissionais de origens diferentes. Ele passou pouco mais de um ano na função de diretor de marketing e vendas da Headway Dynamics, nas Filipinas. “Comprávamos muitos componentes eletrônicos da China e tive que investir tempo para construir uma relação de confiança e aprender a jogar no campo deles.”

    Furlan conta que para os chineses negociar é quase um esporte. “Muitos vão à feira, por exemplo, apenas para colocar suas habilidades em prática, mesmo sem ter interesse em comprar nada.”  O executivo, que em 2010 fez um curso de extensão no Negotiation Institute, centro de estudos dedicado ao assunto na Universidade de Harvard, afirma que tem aumentado a demanda por cursos de “negociações internas” em sua consultoria. “Com a expansão das organizações, aumentam também os atritos entre os departamentos e, consequentemente, a demanda por técnicas de resolução de conflitos.”

    A professora do Insper Azizeh Emileh, que ministra as disciplinas de negociação estratégica, gestão de conflitos e liderança, afirma que essas habilidades aparecem com mais força ao assumir um cargo de gestão. “É quando o profissional precisa mobilizar sua equipe e lidar com públicos distintos como fornecedores, clientes e os próprios pares.” Para ela, os bons negociadores não se limitam apenas à questão financeira, mas sugerem alternativas e soluções criativas. “Acrescentar variáveis e adicionar elementos diversos em um acordo ajuda a superar impasses. Além disso, com maior valor agregado, as relações se perpetuam.”

    Wilson Ferreira Jr., presidente da CPFL Energia, pensa de maneira semelhante: “A chave do sucesso em negociações difíceis é compreender os interesses e restrições da outra parte e ser capaz de criar soluções customizadas, inovadoras e diferenciadas”, diz.

    André Neto, da FGV Management: evitar situações que podem deixar o ambiente pesado ou levar o interlocutor a se ofender

    Uma vez que a maioria das negociações é feita com parceiros de longo prazo, tão importante quanto chegar a um acordo vantajoso para ambos os lados é manter o clima amistoso e positivo. Afinal, as pessoas podem acabar exagerando na defesa de suas posições em meio ao estresse do momento. “São muitas situações que podem deixar o ambiente pesado ou levar o interlocutor a se ofender. Reconstruir o bom relacionamento ao fim da conversa é fundamental para o sucesso dos encontros futuros”, afirma Antônio Neto, da FGV.

    Murilo Ferreira, CEO da Vale, acredita que o respeito sempre deve prevalecer, pois torna as relações com os stakeholders mais sólidas e duradouras. “Isso cria uma fidelidade entre as partes e abre espaço para uma troca de opiniões bastante construtiva”, explica.

    Para Jayme Garfinkel, presidente do conselho de administração da seguradora Porto Seguro, é preciso ir a um encontro desse tipo com desprendimento e não com espírito de competição. “É um erro tratar uma negociação como se fosse um jogo, que termina com um vencedor. O objetivo não é vencer uma disputa, mas fazer ajustes para chegar a uma situação desejada por todos.”

    Ainda que tenham aptidões comuns, bons negociadores precisam adaptá-las ao seu perfil profissional, ao seu estilo e aos seus objetivos. Desta forma, de acordo com G. Richard Shell, da Wharton, é possível considerar mestres nessa arte pessoas tão diferentes como Nelson Mandela e Donald Trump. O primeiro se destaca por sua integridade, persistência, paciência e paixão. “Suas habilidades como negociador fundaram uma nação.” Já o segundo, na opinião do professor, demonstra bom senso de humor, ambição, e não leva o processo nem a ele mesmo tão a sério. “Ele tem consciência do tamanho do seu ego e sabe usar isso a seu favor. Tive o prazer de lecionar para sua filha Ivanka Trump, e ela é uma negociadora ainda melhor que o pai”, revela.

    (Publicado originalmente no Valor Econômico Carreiras, 14/05/2012).

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