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Como manter o foco mesmo trabalhando em casa

Camila Pati

Disciplina e organização são palavras de ordem para quem adota o home office. Especialistas dão dicas de como não perder eficiência

São Paulo – Cada vez mais as empresas liberam seus funcionários para adotar o sistema home office. Uma pesquisa elaborada pela consultoria Hays, por exemplo, indica que essa já uma realidade para 30% das empresas.

sses aspectos. “É preciso ter hora para começar e hora para terminar o trabalho”, diz Kaghofer.

Qualidade de vida e a preocupação em manter talentos no quadro de funcionários, são os motivos apontados para a adoção do trabalho em casa.

Mas, mesmo longe da empresa, a cobrança por resultados ainda é a mesma. Portanto, confira dicas de especialistas consultados por EXAME.com para tornar o trabalho mais eficiente mesmo sem pôr os pés na empresa:

1. Tenha um local dedicado para o trabalho

O primeiro passo é destinar um ambiente da casa apenas para trabalhar. “As pessoas confundem local de trabalho com o laptop”, diz Cesar Kaghofer, representante da Dale Carnegie Training no Brasil.

Ficar com o computador no colo, na sala, com a televisão ligada, conversando com alguém da família vai, na certa, prejudicar o rendimento. “Nessa situação ninguém consegue fazer nada direito”, diz o especialista.

“Além de caracterizar qual é o espaço físico de trabalho, é possível separar melhor o aspecto pessoal do profissional”, afirma Rodrigo Soares, líder da Hays em Campinas.

2. Tenha expediente

Pessoas ativas tendem a alongar excessivamente o período de trabalho, quando adotam o sistema home office. “Por estar em casa, o profissional acaba trabalhando mais”, diz Rodrigo Soares, líder da Hays em Campinas.

Já os menos disciplinados se perdem no meio do caminho “É mais fácil fazer outra coisa não relacionada ao trabalho, tomar um café ou assistir televisão, quando se está em casa”, diz Kaghofer.

Estabelecer um horário fixo é importante para regular e

3. Gerencie o tempo

Evitar as pausas desnecessárias aumenta a produtividade. Para isso, de acordo com o especialista da Dale Carnegie, é essencial adotar a estratégia de “time block”, numa tradução literal “bloquear o tempo”. Na prática, a estratégia pressupõe atenção total no trabalho – sem olhos para interrupções. Manter o foco no trabalho, com atenção total é o que o especialista da Dale Carnegie chama de bloquear o tempo.

“Sessenta minutos de tempo bloqueado valem mais do que 20 espaços de 10 minutos”, explica Kaghofer. Em outros termos, a produtividade durante uma hora com foco total no trabalho é maior do que em mais de três horas de atividades recheadas de interrupções.

Por isso, no home office, fuja de telefonemas não relacionados ao trabalho, não atenda a campainha e evite ser interrompido por membros da família durante o expediente.

4. Negocie

Para conseguir colocar em prática as três primeiras dicas, é preciso estabelecer um acordo com quem mora com você. “Teoricamente, a casa não é um local de trabalho”, diz Kaghofer.

Por isso, “é preciso explicar para a família”, diz Soares. Se você não mora sozinho, negociar com a família é a regra básica do home office.

5. Vá à empresa de tempos em tempos

“Se o profissional apresenta resultados ele se torna visível mesmo trabalhando em casa”, diz Kaghofer. Mesmo assim, ele diz que é importante aparecer na empresa, eventualmente, e conversar com os colegas e superiores.

(Publicado originalmente no Exame Carreiras, 06/08/2012)

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    “Síndrome da Gabriela”: profissionais devem ter cuidado com inflexibilidade

    Gladys Ferraz Magalhães

    SÃO PAULO – “Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim… Gabriela… sempre Gabriela”. O trecho da música cantada por Gal Costa exemplifica um problema comum no ambiente de trabalho: a inflexibilidade. Ao menos, esta é a análise do presidente do CFA (Conselho Federal de Administração), Sebastião Luiz de Mello.

    “O mercado de trabalho está cheio de profissionais com a síndrome da Gabriela. São aquelas pessoas que, mesmo qualificadas tecnicamente, se recusam a mudar por acreditarem que as coisas devem ser feitas do seu jeito”, diz Mello.

    As consequências de tal comportamento, explica o especialista, é o não crescimento na carreira e, no caso de líderes, uma performance menor da equipe.

    “Quem tem esse comportamento prejudica não só a si mesmo, mas toda a empresa. Afinal de contas, não é possível crescer e alcançar metas realizando procedimentos que já não são satisfatórios (…) Com esse discurso, muitos profissionais com potencial ficam estacionados no tempo”, ressalta o presidente do CFA.

    Como reconhecer?
    Algumas frases são típicas de profissionais inflexíveis. As mais famosas, segundo Mello, são as seguintes:

    • “vamos fazer assim, pois sempre fizemos desta maneira”;
    • “Sei que isto é bom, mas prefiro fazer do meu jeito”;
    •  “Eu sinto muito, mas sou assim”.

    Dentre os motivos que fazem com que estes profissionais se comportem de tal maneira, o especialista acredita que o medo de não dar certo, de errar ou de receber críticas, se destacam. Para quem sofre da apelidada “síndrome da Gabriela” o caminho, sugere Mello, é repensar as atitudes e começar  a mudar de postura.

    “O processo de mudança nem sempre é fácil: exige trabalho, planejamento e força de vontade. Por isso, muitos preferem continuar fazendo as mesmas coisas no trabalho e na vida pessoal, perdendo a oportunidade de conhecer novos caminhos, amadurecer e descobrir novas possibilidades”.

    (Publicado originalmente no Infomoney Carreiras, 06/07/2012).

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    Busca por novos desafios pode esconder frustrações profissionais

    Sidnei Oliveira

    É impressionante a quantidade de profissionais que atualmente deixam seus empregos em busca de “novos desafios”. Muitos abandonam carreiras estruturadas e sedimentadas em troca da emoção do novo, algo que possa trazer de volta um sentimento de expectativa e até de insegurança, como o que esteve presente no início da carreira profissional, quando tudo era novo e muitas vezes representavam uma ameaça à manutenção do emprego.

    O que parece estimular essa busca constante por uma trajetória empolgante e com possibilidades de grande reconhecimento são as transformações que a carreira sofreu nos últimos anos. A vida profissional expandiu-se. Já não podemos mais falar de meros 35 anos de carreira, pois, com o aumento da expectativa de vida, percebemos que não só precisaremos, mas, também desejaremos trabalhar e desenvolver trajetórias mais diversificadas.

    Muitas vezes a busca por “novos desafios” surge de fatores subjetivos, como ambiente de trabalho ou atuação das lideranças. Entretanto, alguns profissionais transformaram o tema em estilo de vida, saltando de emprego em emprego, atrás do melhor local para  trabalhar. Muitas vezes, a ruptura esconde interesses e expectativas frustradas, tais como um aumento salarial ou uma promoção que não aconteceu, o que acaba trazendo consequências.

    Esse fenômeno é muito positivo quando observado em profissionais mais veteranos, pois pode significar a descoberta de uma segunda carreira, trazendo benefícios pessoais e também corporativos, afinal, o conhecimento tácito, adquirido em anos de trabalho, certamente se transforma em um potencial extremamente produtivo nas novas atividades. Há, entretanto, um lado perverso nesse fenômeno, que é quando essa busca acontece com profissionais novatos. Para eles, os efeitos são bem diferentes e interferem profundamente na sua formação.

    Um jovem profissional, novato em um emprego, não recebe, inicialmente, os desafios de maior valor. O mais comum é que o valor dos desafios sejam apresentados de forma crescente, à medida em que são superados. Contudo, quando há diferenças nas expectativas e o jovem aventura-se em um novo emprego em busca de “novos desafios”, o que ele alcança, de fato, é uma redução no valor dos desafios, pois torna-se novato outra vez e sua trajetória recua algumas etapas.

    Seja qual for o motivo para a decisão de ruptura, é fato que ela deixa marcas na trajetória do profissional, por isso, é muito importante considerar se realmente está em busca de novos desafios ou apenas se desviando dos desafios que encontra pelo caminho.

    Isso irá determinar se sua estratégia de carreira é vitoriosa ou apenas um fuga, afinal, algumas vezes os desafios estão exatamente onde você deixou.

    (Publicado originalmente no ClickCarreira, 22/06/2012).

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    É possível começar uma carreira de sucesso depois dos 30 anos

    Rachel Sciré

    O dia de Rodolfo Gutilla, 50, parece ter mais do que 24 horas. Diretor de assuntos corporativos da Natura, ele também é presidente do conselho da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), vice-presidente da Associação da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Beleza e da Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas, além de atuar como conselheiro em várias organizações. Nas horas vagas (ou seriam “horas extras”?), Gutilla dedica-se à Literatura – é autor de livros de poemas, literatura infantil e ensaios.

    Gutilla trabalha entre 10 e 12 horas, dividindo as tarefas entre a sede da Natura, em Cajamar (SP), os escritórios de fornecedores e parceiros, e sua casa.  O dia a dia envolve atividades de representação, viagens, relacionamento com a imprensa e o governo e criação de materiais institucionais, entre outras coisas.

    Mas ele nunca pensou que seria um executivo. Gutilla é formado em Jornalismo e mestre em Antropologia. Conciliou a carreira na imprensa com a vida acadêmica e até fez militância sindical como professor. Na entrevista a seguir, ele conta sua trajetória até o topo do mundo corporativo.

    Vida de estudante

    Eu nunca fui bom aluno, era dispersivo, mas gostava muito de ler, era um pouco introspectivo. Repeti de ano duas vezes. Depois eu fiz faculdade de Comunicação e, logo em seguida, ao perceber que eu tinha um inclinação para Ciências Sociais, fui fazer o curso na PUC-SP. Fiz pós-graduação e mestrado em Antropologia.

    Começo de carreira

    Eu me formei em 1985, em Jornalismo, e fui da primeira turma do treinamento da Folha de S.Paulo, que nem se chamava assim na época.  Tive a oportunidade de aprender com grandes mestres do jornalismo e um grupo muito talentoso que trabalhava lá. Mas percebi que o jornalismo diário não me emocionava, não me fisgava. Era tudo muito rápido e relativamente superficial. Eu queria mergulhos mais profundos, então fui fazer um outro tipo de jornalismo mais segmentado. Trabalhei em revistas e publicações, como a Casa Vogue. Depois passei a me interessar muito pela Academia, por lecionar, dividindo então o meu tempo entre o jornalismo e a atividade de professor. Eu dei aula por seis anos de Antropologia e Edição no curso de Jornalismo, foi muito gostoso.

    Atuação sindical e mudança para o universo corporativo

    Eu comecei a lecionar porque tenho uma vocação muito grande para essa área, mas a remuneração do professor no Brasil é baixa, na época era ainda pior. Então eu acumulava atividades de jornalismo e de relações públicas, fazendo projetos, planos de comunicação, matérias, reportagens – freelancer, de modo geral. Eu era delegado sindical dos professores e nós promovemos a primeira greve no sistema educacional em que trabalhava. Todos entenderam o nosso pleito e obtivemos ganho de causa no Tribunal do Trabalho, mas depois a discussão com os donos da faculdade foi muito tensa, então surgiu uma oportunidade em uma agência de relações com a imprensa. Lá eu aprendi a fazer projetos e depois fui convidado para ser o supervisor de relações com a imprensa de um dos clientes. Foi assim que comecei a atuar no mundo empresarial.

    Sobre entrar mais tarde no mercado de trabalho

    Eu iniciei minha carreira no mundo corporativo depois dos 30 anos ou um pouco antes. Eu vejo essa idade como um momento especial, porque aos 30 anos você está muito preparado, está numa fase da vida em que já está mais pronto e maduro para uma nova etapa mais desafiadora, que pode ser uma mudança radical, como eu fiz, vindo do mundo acadêmico para o mundo corporativo, ou uma promoção que te leve a um nível de maior responsabilidade dentro da organização. O importante é que você tenha claro quais são as competências que você tem para enfrentar esse desafio. Às vezes é preciso arriscar e dar um passo maior que o outro, sem ousadia você corre o risco de ficar fazendo a mesma coisa para o resto da vida.

    Dia a dia na empresa

    Tenho uma jornada de trabalho que demanda muito, trabalho em torno de 11, 12 horas por dia, viajo bastante. Trabalho aqui, em algum escritório onde vou estar (seja de um fornecedor ou de um parceiro de negócios) e outra parte do dia eu trabalho em casa, à noite. Eu cuido da área de assuntos corporativos, que, em resumo, envolve as relações com a imprensa, com formadores de opinião, a produção de materiais institucionais, mas também tomam bastante parte do meu tempo as relações com o governo.

    Lazer

    Eu escrevo, sou poeta e faço ensaios sobre Literatura. Tenho perseguido esse desejo de escrever e já publiquei alguns livros. Quero acreditar que daqui a alguns anos vou poder dedicar mais tempo a essa minha vocação. Gostaria de construir uma segunda trajetória nesse campo.

    Literatura e Antropologia em relação ao mundo empresarial

    A Antropolgia ensina a compreender os sistemas simbólicos, as narrativas mitológicas, as organizações de uma determinada cultura. A empresa é um agrupamento social, ela tem seus próprios rituais, seu mito de origem, suas próprias narrativas. A Antropologia ajuda a navegar no ambiente corporativo e a criar as narrativas para que os outros compreendam qual é o propósito e a vocação social desse empreendimento. A Literatura, onde o resultado também é uma narrativa, ajuda a construir e compreender outras narrativas sobre o indivíduo, no ambiente empresarial e em relação com os seus pares, e a empresa, em relação aos seus múltiplos públicos. O que me levou à Antropologia e o que me faz escrever é essa paixão que eu tenho pelas narrativas, pelos símbolos.

    Diferencial na carreira

    O que eu acho que fez diferença foi ter feito uma boa faculdade de Ciências Sociais, um bom curso de pós-graduação e um mestrado com muita aplicação. Parte do que sou hoje, devo à segunda formação.

    Futuro profissional

    Eu nunca me preparei para ser um executivo, sempre para ser professor. Eu fiz muito trabalho de campo, pesquisa etnográfica e acabei me tornando um executivo. Daqui pra frente, eu planejo atuar na área de assuntos corporativos pelos próximos 10, 12 anos, porque isso demanda muita energia, esforço físico inclusive. Depois eu gostaria de voltar a estudar, quero fazer doutorado e voltar para a vida acadêmica, além de continuar escrevendo. E se julgarem que eu tenho alguma competência para isso, eu posso ser conselheiro no futuro, seja na área da comunicação ou na de relações institucionais.

    Conselhos a um jovem profissional

    Instrua-se, eduque-se, faça mais de uma faculdade, se puder, faça pós-graduação, mestrado, MBA. Permaneça atualizado. Faça cursos de extensão universitária, de atualização. Faça cursos mais estruturantes, porque a técnica você acaba aprendendo no dia a dia. Além disso, relacione-se. Esteja sempre buscando novos contatos, saiba quem são as lideranças das empresas, procure identificar os valores que te inspiram em um determinado executivo – procure conhecer pessoas e estilos diferentes de gestão. Tenha uma disposição permanente para o aprendizado cotidiano, não se aliene. Por fim, trabalhe muito, porque tem sempre alguém que vai trabalhar mais do que você, mas não perca de vista que você tem família, amigos e uma outra vida para construir.

    Para saber um pouco mais, assista o vídeo da entrevista clicando aqui.

    (Publicado originalmente no ClickCarreira, 15/06/2012).

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    Os riscos de falar demais no trabalho (e como evitá-los)

    Falar demais não é pecado, mas se feito sem bom senso pode trazer sérios riscos para a sua carreira, segundo especialistas

    Talita Abrantes

    São Paulo – Regra básica para ter uma carreira promissora? Comunique-se bem. Sim, isso mesmo. Independente do cargo ou setor de atuação, saber se expressar de uma maneira objetiva e clara é essencial para emplacar ideias, convencer clientes e, principalmente, liderar.

    Mas, atenção, comunicar-se bem não é sinônimo de falar demais. E é exatamente nesta confusão de conceitos que estão alguns dos mais sérios pecados corporativos de muita gente por aí. Seja por um traço de personalidade ou por pura falta de senso, muitos profissionais dão corda demais para a mania de ser prolixo e, acabam, colocando a própria carreira em risco.

    Confira abaixo quais os riscos de ser prolixo e como evitá-los – mesmo quando falar demais faz parte da sua personalidade:

    Riscos

    • Ganhar o título de arrogante…

    Quem fala demais, geralmente, peca por não ouvir os outros. “Você só entra na conversa quando a pessoa para para respirar. E, mesmo assim, nem sempre dá tempo”, descreve Reinaldo Passadori, do Instituto Passadori.

    Por isso, não raro pessoas prolixas tendem a ser consideradas arrogantes e, no pior dos cenários, muito (mas muito mesmo) chatas. Por não ter papas na língua, quem fala para além da conta corre o risco de “declarar coisas que não deveria e soltar trunfos sobre si mesmo”, diz Silvio Luzardo, especialista em oratória.

    “Quem é prolixo não tem a percepção de aceitar o outro como ele é. Fala demais porque acredita que o que fala é correto e o que o outro sente não tem importância”, diz Passadori.

    • …ou de inconveniente

    Por não estarem atentos às outras pessoas, alguns prolixos tendem à uma síndrome de falta de tato crônica. Este problema é materializado em tratar de assuntos indevidos em ocasiões impróprias e, principalmente, ocupar demasiadamente o tempo de terceiros.

    De alimentar a rádio peão até fazer piadas de mau gosto, passando por despejar críticas vazias e pecar na falta de discrição, as gafes de quem fala além da conta são inúmeras. E, infelizmente, pouco raras. “Aí não há quem aguente, né?”, diz Romaly de Carvalho, especialista em etiqueta corporativa.

    • Perder espaço

    A consequência para esse tipo de comportamento é até óbvia: em alguns cenários mais assustadores, ser prolixo pode sim custar seu sucesso profissional. E, neste caso, sua qualificação nem sempre falará mais alto.

    “O bom profissional tem foco. Sabe o que dizer e quando dizer”, diz Romaly. “No mundo corporativo, as pessoas querem soluções eficientes em menor tempo”.

    Fato que garante alguns pontos negativos para quem não consegue vislumbrar o mundo de uma maneira mais objetiva. “O profissional perde o crédito. O cliente pode sentir que está sendo enrolado”, diz Silvio Luzardo.

    Como evitar

    • Ouça

    O conselho de avó pode até ser clichê, mas é valioso para essas horas: todos têm dois ouvidos e uma boca, logo…

    A conclusão para o ditado popular é até óbvia, mas quem tem o hábito de falar sabe que a experiência prática não é tão simples assim. Por isso, se você integra o grupo dos que sempre protagonizam um diálogo, uma dica: fique atento às perguntas do seu interlocutor. Se ele parar de questionar (ou pior, falar), cuidado.

    “A pessoa fala e fala, mas não leva em consideração se o outro está gostando da conversa”, diz Romaly. Por isso, a primeira lição para toda pessoa que perde o limite na hora de se comunicar é simples: ouça, ouça e ouça.

    • Diferencie

    É essencial também diferenciar os tipos de relacionamento que você nutre no trabalho. Lembre-se: uma coisa é amigo (e o tipo de assuntos que podem ser tratados com ele), colega de trabalho é outra história. E traçar esse limite é fundamental para ter foco na hora de se comunicar no trabalho.

    “Você até pode ter amigos no trabalho. E é bom que tenha. Mas nem todos serão seus amigos. Com o colega de trabalho, você deve compartilhar apenas assuntos relativos ao planejamento da empresa”, diz Romaly.

    • Não tenha medo do silêncio

    O silêncio, principalmente entre desconhecidos, pode incomodar . E muitas vezes, apavorar. Mas isso não pode ser justificativa para dar cordas para a própria língua e falar coisas que não deve. Quando o silêncio apavorar e desconectar, o melhor antídoto é permanecer quieto. E esperar o outro.

    • Foque no que é urgente e importante

    Planejamento deve ser palavra de ordem para qualquer profissional. E isso se aplica também a todos os diálogos que você precisa liderar. “Transforme tudo o que tem que ser dito em frases objetivas. Foque apenas no que é urgente e importante”, ensina Passadori.

    (Publicado originalmente no Portal Exame Carreira, 05/06/2012).

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    A concorrente quer me contratar!

    Rachel Sciré

    Diante da escassez de profissionais no mercado de trabalho, não é raro empresas buscarem talentos entre os concorrentes. Hoje, os mais assediados são os empregados nas áreas de TI, Petróleo e Gás, Geologia e Engenharias, em geral, em nível executivo. Mas e você, como reagiria se recebesse uma proposta da empresa rival?

    “O mercado está tão dinâmico que não há problema em ser procurado pela concorrente”, afirma Irene Azevedo, diretora de negócios da LHH/DBM, empresa de soluções para desenvolvimento de talentos. No entanto, a consultora destaca que é preciso tomar alguns cuidados logo que for acionado pelo headhunter.

    O primeiro é avaliar se aquela movimentação faz sentido – se há profissionais deixando a concorrente ou a se a contratação está relacionada a alguma nova estratégia da empresa, por exemplo. Caso contrário, pode ser apenas uma sondagem de mercado, algumas vezes, com más intenções.

    Além disso, como se tratam de concorrentes, deve-se evitar a troca de informações sobre rotinas e processos. “O profissional tem que falar o mínimo possível da empresa atual e, em vez disso, destacar suas qualidades e realizações”, ensina Irene.

    Como em qualquer outra oportunidade, antes de aceitar a proposta é necessário considerar se não há nada mais para aprender na organização em que está empregado e se não existem chances de crescer ali. “Deve-se pensar se a proposta do concorrente vai dar oportunidade de fazer um salto na carreira e assumir uma posição mais desafiadora”, diz.

    Saída sem tropeços – Pedir demissão é sempre delicado, imagine então quando você está deixando seu trabalho para assumir um posto na concorrência? Na hora do desligamento, a recomendação é ser bastante profissional: dizer que teve uma oportunidade melhor, deixar todas as suas coisas organizadas e as tarefas cumpridas.

    Como você não é obrigado a contar para onde está indo, pode avisar o chefe e os colegas só depois de ter começado no emprego novo – o que não vale, caso o funcionário tenha assinado uma cláusula de não concorrência. Fora do Brasil, esse documento é bastante comum fora, principalmente em cargos executivos. Ao assiná-lo, o profissional assume o compromisso de não trabalhar no concorrente por um período determinado, depois de sair da empresa. Em contrapartida, o antigo empregador se compromete a pagar uma indenização durante o tempo de inatividade profissional. “Algumas concorrentes chegam a esperar os profissionais durante esse período”, conta Irene. Empresas de tecnologia, de agronegócios, de automóveis e instituições financeiras estão entre as que mais se utilizam do contrato.

    Nada a recear – Se o profissional não tem nenhum impedimento deste tipo, não deve se preocupar se a troca de emprego vai pegar mal. De acordo com Irene, o ambiente mudou e as organizações se reestruturam com maior facilidade. “Se a oportunidade for melhor, nenhum chefe ou colega vai achar que você agiu mal, só porque se trata de concorrente”, diz ela, que também já passou por essa situação.

    A consultora ainda explica que não esbarrar em questões éticas durante a transição depende da postura assumida pelo profissional. “Jamais leve informações de onde você trabalhou, nem se valha delas para fazer seu trabalho”, recomenda.

    Para quem ainda não recebeu um convite para mudar de empresa, também fica a dica: não fale mal do concorrente em hipótese alguma. A ideia é sempre valorizar seus diferenciais e nunca subestimar o rival. Afinal, se um dia você for convidado para trabalhar lá, poderá aceitar o convite sem passar por uma saia justa.

    (Publicado originalmente no Click Carreira Quero Crescer, 29/05/2012).

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    Entrevista de emprego: o que te dá brilho nos olhos?

    Questão investiga coerência entre as motivações do profissional e cultura da empresa; veja como respondê-la

    São Paulo – A pergunta típica de entrevista de emprego pode parecer complicada e muito abrangente, mas quando um recrutador questiona o que te dá brilho nos olhos ou algo parecido sua verdadeira pretensão é compreender o que motiva o entrevistado e o que ele ainda quer conquistar.

    “Eu quero entender o que o candidato busca e valoriza para avaliar se ele tem o perfil corporativo da empresa do meu cliente”, explica o especialista em recrutamento Rodrigo Forte, da EXEC.

    Por isso, Forte ressalta que não há uma resposta certa para esse tipo de pergunta: o candidato tem de ser o mais honesto possível.

    Algumas respostas que podem parecer mais arriscadas, para Forte, devem ser ditas, sim, se forem verdadeiras. Por exemplo, se o que te der mais brilho nos olhos for ficar com a sua família, essa é a resposta certa para você.

    “Há empresas que valorizam esse perfil em um profissional. Outras procuram alguém que esteja disponível para trabalhar 12 horas por dia”, explica Forte. Para ele, honestidade é essencial justamente porque alguém que valoriza a família não vai querer ficar em uma empresa que exige dedicação integral do funcionário.

    O especialista Eduardo de Paula Santos, da Ascend, concorda que o ideal é ser honesto para o recrutador conseguir perceber se o entrevistado realmente se encaixa na vaga. Santos, porém, é mais pragmático: “Claro que se eu pergunto o que dá brilho nos olhos da pessoa e ele me responde algo extremamente pessoal como ‘tocar violão’, por exemplo, eu vou me questionar se esse é o candidato ideal para essa vaga corporativa”, decreta.

    Para Santos, apesar de não haver necessariamente uma resposta certa para uma pergunta sobre motivação, algumas falas agradam mais. “Uma resposta clara que traga benefícios para a empresa, algo como ‘fazer novos negócios me dá brilho nos olhos’, é uma resposta bastante positiva”, explica.

    Uma dica do recrutador é responder a essa pergunta contando uma situação em que você tenha feito a diferença no ambiente de trabalho e se orgulhe disso.

    Apesar de terem visões distintas, os dois especialistas concordam em uma coisa: o candidato não pode ir contra o padrão geral das empresas atuais. “Nenhuma empresa quer ouvir que o que dá brilho nos olhos no candidato é ganhar muito dinheiro trabalhando pouco”, diz Rodrigo Forte.

    (Publicado originalmente no Portal Exame Carreira, 24/05/2012).

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    A boa negociação não aceita improvisos

    Rafael Sigollo

    Criatividade, flexibilidade, capacidade de reagir a mudanças e de se adaptar rapidamente aos mais diferentes cenários. Estas características, embora sejam muito valorizadas nos executivos brasileiros, podem resultar em excesso de autoconfiança e produzir um efeito colateral bastante perigoso na hora de negociar: a falta de planejamento. Deixar para resolver as coisas na última hora, improvisar ou esperar para “ver o que acontece” antes de agir acaba inevitavelmente em negociações com resultados ruins. O reflexo dessas atitudes foi detectado pelo levantamento global realizado recentemente pela rede profissional LinkedIn com 2 mil profissionais. O estudo revelou que 21% dos brasileiros admitiram sentir medo de negociar, maior índice entre os oito países participantes.

    Para Antônio André Neto, professor e coordenador do MBA executivo em gestão estratégica e econômica de negócios da FGV Management,  preparar-se adequadamente é o primeiro passo para ser bem-sucedido em qualquer tipo de negociação. Além de definir com clareza quais são seus objetivos, limites, estratégias e o que pode ser colocado em jogo, é preciso conseguir também o máximo de informações sobre quem vai estar do outro lado da mesa. “Quais os interesses dessa pessoa, qual é o local e quanto tempo terá a reunião?” são variáveis que podem fazer diferença e pegar de surpresa o executivo mais incauto. Na opinião de Neto, ouvir mais do que falar e saber fazer as perguntas certas também é essencial para conhecer melhor o interlocutor e suas motivações. “Todos os envolvidos precisam ter a sensação de que estão fazendo o melhor acordo possível.”

    Heraldo Marchezini, presidente da indústria farmacêutica Sanofi Aventis no Brasil e na América Latina, concorda. “O mais importante é entender o outro profissional e não ficar só pensando no seu lado.” O executivo fala com propriedade no assunto, pois participou ativamente da compra do laboratório Medley, em 2009. “A Sanofi foi uma empresa que cresceu com mais de 300 aquisições.”

    José Roberto Ribeiro do Valle, sócio-presidente da Scotwork Brasil, consultoria multinacional focada em negociação, afirma que outra consequência da falta de planejamento é deixar o lado emocional afetar o racional. “Dependendo do interesse, alguns negociadores podem agir de forma agressiva propositalmente para se impor e diminuir o que está sendo oferecido a eles. Isso fragiliza a outra pessoa e faz com que ela perca o controle da situação”, alerta.

    Outra armadilha é ficar sem espaço de manobra e ter que decidir sob pressão. Valle exemplifica com um caso real de um executivo que viajou para fechar a compra de uma empresa no exterior. “Ele foi recebido por um grupo que manteve sua agenda repleta de atividades, como reuniões de exposição e excursões à fábrica e à cidade. A negociação em si foi deixada para o último dia, quando praticamente já não havia mais tempo para argumentar, refletir e pensar sobre a proposta feita.”

    Para José Drummond Jr., presidente da Whirlpool na Europa, Oriente Médio e África, não concretizar um negócio precisa ser sempre uma opção possível. “Você só vai comprar bem um carro se estiver preparado para não comprá-lo. Quando se está apavorado ou precisando fechar o negócio de qualquer maneira, nunca se consegue o melhor acordo”, ressalta.

    Embora alguns profissionais tenham mais dificuldade em conduzir negociações do que outros, os especialistas afirmam que é possível praticar, desenvolver habilidades e suprir deficiências. G. Richard Shell, autor do livro “Negociar é preciso” (Negócio Editora), professor da escola de negócios americana Wharton, da Pensilvânia, e fundador e diretor acadêmico do workshop de negociação executiva na instituição, afirma que negociar é como falar em público. “Você pode fazer isso muito bem de forma intuitiva. Mas pode se tornar excelente se buscar orientação e entender como funcionam os mecanismos por trás dessas práticas.”

    Consultor, conselheiro de empresas e autor de um livro sobre o assunto, Carlos Alberto Júlio destaca que, ao se aprofundar no estudo de técnicas e de modelos de comportamento, as pessoas se sentem mais seguras e confiantes na hora de colocar as cartas na mesa. Em sua opinião, muitos profissionais conseguem se sair relativamente bem durante o processo, mas mesmo os mais experientes costumam falhar na hora crucial de “fechar o negócio”. “É essencial saber como e quando concluir um acordo. Caso contrário, corre-se o risco de se estender desnecessariamente e colocar tudo a perder. É preciso repassar os tópicos discutidos, resumir o que foi combinado, acertar os detalhes e manter o foco.”

    Com os mercados e as empresas se tornando cada vez mais globais, reuniões de negócios entre participantes de nacionalidades diversas já entraram na rotina dos executivos do alto escalão. Nesses casos, além de contar com o apoio de tradutores especializados, é essencial levar em conta os fatores culturais. “O cuidado deve ser redobrado para evitar mal-entendidos e não desrespeitar religiões, tradições e crenças”, diz Shell. Os brasileiros, por exemplo, gostam de puxar assuntos amenos no início de uma conversa para tentar “quebrar o gelo” e criar empatia antes de entrar no assunto que realmente interessa. “Já os americanos e ingleses são mais objetivos e julgam que essa abordagem mais pessoal é perda de tempo”, afirma Valle.

    O diretor-executivo da empresa de desenvolvimento organizacional Enora Leaders, João Marcelo Furlan, sentiu na pele as dificuldades e as particularidades de se sentar à mesa com profissionais de origens diferentes. Ele passou pouco mais de um ano na função de diretor de marketing e vendas da Headway Dynamics, nas Filipinas. “Comprávamos muitos componentes eletrônicos da China e tive que investir tempo para construir uma relação de confiança e aprender a jogar no campo deles.”

    Furlan conta que para os chineses negociar é quase um esporte. “Muitos vão à feira, por exemplo, apenas para colocar suas habilidades em prática, mesmo sem ter interesse em comprar nada.”  O executivo, que em 2010 fez um curso de extensão no Negotiation Institute, centro de estudos dedicado ao assunto na Universidade de Harvard, afirma que tem aumentado a demanda por cursos de “negociações internas” em sua consultoria. “Com a expansão das organizações, aumentam também os atritos entre os departamentos e, consequentemente, a demanda por técnicas de resolução de conflitos.”

    A professora do Insper Azizeh Emileh, que ministra as disciplinas de negociação estratégica, gestão de conflitos e liderança, afirma que essas habilidades aparecem com mais força ao assumir um cargo de gestão. “É quando o profissional precisa mobilizar sua equipe e lidar com públicos distintos como fornecedores, clientes e os próprios pares.” Para ela, os bons negociadores não se limitam apenas à questão financeira, mas sugerem alternativas e soluções criativas. “Acrescentar variáveis e adicionar elementos diversos em um acordo ajuda a superar impasses. Além disso, com maior valor agregado, as relações se perpetuam.”

    Wilson Ferreira Jr., presidente da CPFL Energia, pensa de maneira semelhante: “A chave do sucesso em negociações difíceis é compreender os interesses e restrições da outra parte e ser capaz de criar soluções customizadas, inovadoras e diferenciadas”, diz.

    André Neto, da FGV Management: evitar situações que podem deixar o ambiente pesado ou levar o interlocutor a se ofender

    Uma vez que a maioria das negociações é feita com parceiros de longo prazo, tão importante quanto chegar a um acordo vantajoso para ambos os lados é manter o clima amistoso e positivo. Afinal, as pessoas podem acabar exagerando na defesa de suas posições em meio ao estresse do momento. “São muitas situações que podem deixar o ambiente pesado ou levar o interlocutor a se ofender. Reconstruir o bom relacionamento ao fim da conversa é fundamental para o sucesso dos encontros futuros”, afirma Antônio Neto, da FGV.

    Murilo Ferreira, CEO da Vale, acredita que o respeito sempre deve prevalecer, pois torna as relações com os stakeholders mais sólidas e duradouras. “Isso cria uma fidelidade entre as partes e abre espaço para uma troca de opiniões bastante construtiva”, explica.

    Para Jayme Garfinkel, presidente do conselho de administração da seguradora Porto Seguro, é preciso ir a um encontro desse tipo com desprendimento e não com espírito de competição. “É um erro tratar uma negociação como se fosse um jogo, que termina com um vencedor. O objetivo não é vencer uma disputa, mas fazer ajustes para chegar a uma situação desejada por todos.”

    Ainda que tenham aptidões comuns, bons negociadores precisam adaptá-las ao seu perfil profissional, ao seu estilo e aos seus objetivos. Desta forma, de acordo com G. Richard Shell, da Wharton, é possível considerar mestres nessa arte pessoas tão diferentes como Nelson Mandela e Donald Trump. O primeiro se destaca por sua integridade, persistência, paciência e paixão. “Suas habilidades como negociador fundaram uma nação.” Já o segundo, na opinião do professor, demonstra bom senso de humor, ambição, e não leva o processo nem a ele mesmo tão a sério. “Ele tem consciência do tamanho do seu ego e sabe usar isso a seu favor. Tive o prazer de lecionar para sua filha Ivanka Trump, e ela é uma negociadora ainda melhor que o pai”, revela.

    (Publicado originalmente no Valor Econômico Carreiras, 14/05/2012).

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    Como você reage diante de uma contraproposta salarial?

    Esta semana voltamos a falar sobre um assunto fortemente discutido em processos de recrutamento e seleção: O profissional é selecionado para uma vaga e ao comunicar para a empresa onde trabalha, recebe uma contraproposta.

    Duas consultorias emitiram suas opiniões sobre o posicionamento do brasileiro frente à essa situação. E você, como acha que a maioria dos profissionais reage?

    Brasileiros são os que mais aceitam contrapropostas salariais

    (Jornal da Globo, edição do dia 15/05/2012)

    Pesquisa foi feita com mais de 1.800 profissionais da área de recursos humanos, de 16 países como Austrália, Chile e Alemanha.

    Contraproposta é uma palavra que se tornou comum no aquecido mercado de trabalho brasileiro e cada vez mais aceita nas negociações salariais.

    Quem não quer um salário maior? Há três meses, o diretor de arte, Leandro Barbosa, recebeu uma oferta tentadora para sair da agência de publicidade onde trabalha. Mas o chefe fez uma contraproposta e Leandro aceitou. “Mais que a questão do salário, de um aumento no salário, tem a minha satisfação de trabalhar aqui”.

    Uma pesquisa feita com mais de 1.800 profissionais da área de recursos humanos, de 16 países como Austrália, Chile e Alemanha, revelou uma tendência no Brasil. No país, o mercado aquecido e a dificuldade de encontrar profissionais qualificados, têm provocado uma mudança de comportamento.

    Segundo o levantamento da Robert Half, uma empresa internacional de recrutamento especializado, 24% das empresas ouvidas no país informaram que é muito comum os funcionários aceitarem as ofertas. A média mundial é de 8%.

    A pesquisa mostra que os profissionais brasileiros são os que mais aceitam as contrapropostas hoje em dia. Só que esse negócio nem sempre é lucrativo para as duas partes.

    “Por parte da empresa ela está com uma visão de curto prazo, porque ela não preparou um substituto, ela não tem um plano B e por parte do profissional, ele esquece no momento da contraproposta a insatisfação que ele teve que fez ele procurar outras oportunidades”, explica o diretor da Robert Half, William Montehath.

    Você quer sair, a empresa faz contraproposta. O que fazer?

    (Estadão Economia&Negócios, publicado em 01/11/2011)

    Fernando Scheller

    Em tempos de mercado aquecido, é cada vez mais comum as empresas entrarem em uma disputa monetária pelos funcionários. Mas, na hora da decisão, as pessoas costumam mudar de emprego atual mesmo quando recebem uma proposta salarial interessante da companhia atual?

    Segundo um levantamento da consultoria DMRH mostra que a maioria dos profissionais, quando confrontada com uma proposta interessante, prefere ir para o novo desafio. Entre o total de desistentes de vagas contratadas pela DM Especialistas ao longo de 2011, somente 29,5% rejeitaram uma oferta por conta de contraproposta do empregador atual.

    Com o mercado aquecido, o principal problema, conta a consultoria, foram as propostas concomitantes. Do total de desistentes em processos seletivos, 70,5% disseram “não” a uma determinada proposta porque ela chegou “atrasada”, já que o candidato tinha aceitado uma proposta de um processo seletivo encerrado anteriormente.

    Isso pode ser um indicativo de que salário, no fim das contas, não é tudo. Em tempos de mercado aquecido, talvez os candidatos estejam acreditando que vale mais a pena tentar uma experiência nova do que ficar no mesmo lugar, mesmo que ganhando mais.

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    Intervalos sem e-mails podem aumentar o foco e diminuir o estresse

    Letícia Arcoverde

    SÃO PAULO – Deixar de checar o e-mail constantemente pode aumentar o foco no trabalho e diminuir a carga de estresse. É o que indica um estudo realizado por professores do departamento de informática da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

    Como parte da pesquisa, 13 profissionais de diversas áreas passaram por um período de cinco dias sem acessar e-mail enquanto trabalhavam. Durante o experimento, os participantes se comunicaram com os colegas de trabalho pelo telefone ou ao vivo.

    O estudo identificou que os profissionais acharam mais fácil manter o foco no período em que ficaram desconectados da comunicação eletrônica. Eles trocaram menos vezes de uma atividade para outra e passaram mais tempo em um determinado documento ou janela no computador. Segundo alguns dos participantes, não ter a obrigação de checar o e-mail constantemente diminuiu as fontes de distração e fez com que os profissionais pensassem melhor em cada tarefa separadamente, destinando mais tempo a cada uma delas. O nível de estresse também foi menor no período sem e-mail, de acordo com os batimentos cardíacos medidos pelos professores durante o experimento.

    Outro aspecto destacado foi o aumento na interação ao vivo entre colegas de trabalho, o que foi avaliado como positivo pelos participantes. Ao mesmo tempo, o estudo monitorou o impacto da falta de acesso ao e-mail em colegas de trabalho que não foram privados da comunicação eletrônica, e descobriu que eles não se sentiram prejudicados.

    Embora os professores não recomendem que as empresas cortem o uso de e-mail durante o expediente, eles sugerem que os profissionais considerem estratégias para melhor monitorar o uso do correio eletrônico ao longo do dia. Um dos exemplos aponta que as empresas poderiam tentar destinar determinados intervalos para a prática e encontrar alternativas a e-mails informacionais enviados para todos os funcionários.

    Segundo os autores, os participantes se disseram receosos em checar a caixa de entrada pela primeira vez após o experimento, mas acabaram achando mais fácil administrar a carga acumulada ao avaliar vários e-mails ao mesmo tempo, ao invés de abrir constantemente as mensagens ao longo do dia.

    (Publicado originalmente no Valor Econômico Carreira, 11/05/2012)

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