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Cuide bem do seu futuro profissional

As pessoas têm se preocupado mais em gerenciar seus empregos, de forma a pagar as contas do mês, em vez de investir na carreira. O mercado sempre abraça aqueles mais preparados.

Sempre se ouviu falar muito, tanto por parte de funcionários quanto de organizações, a expressão “plano de carreiras”. E a ideia que isso transmite (ainda se luta para eliminar essa concepção) é a de ser algo apenas de interesse de empregados, de sindicatos e que, para as empresas, pouco benefício traz, além de demandar elevação de custos com mão de obra. Trata-se de uma visão de carreira simplista, que vê as perspectivas de promoções e aumentos salariais ligadas basicamente ao tempo de casa, o que quase sempre provoca entraves à gestão de recursos humanos, aumento da folha de pagamento e envelhecimento do quadro de funcionários.

Hoje, o mercado pede – e os profissionais precisam – uma visão mais profunda dessa expressão, que pode ser muito bem explicitada como gestão de carreira (ou gerenciamento de carreira), prática já encontrada em muitas organizações de grande porte – que se voltam para ações de planejamento de recursos humanos vinculadas aos grandes objetivos da empresa –, mas que depende, para ser implantada, muito mais do profissional. “É preciso que se entendam bem as diferenças entre gestão de emprego e gestão de carreira”, diz Fernanda Schröder Gonçalves, coordenadora do Ibmec Carreiras, unidade da instituição de ensino que orienta alunos e ex-alunos a planejar suas vidas profissionais. “Gestão de emprego é trabalhar para gerar recursos para pagar as contas no fim do mês. O empregado trata quase que somente de atividades presentes e seu emprego depende das decisões da empresa. Ele desenvolve apenas as competências que atendem à organização e não ao mercado. Já gerenciar uma carreira significa tomar uma série de decisões, visar ao futuro profissional e se preparar adequadamente para aquilo que realmente almeja”, informa.

Exemplificando, ela cita que o emprego de uma pessoa pode não exigir que ela fale inglês, mas o mercado pede que hoje se domine o idioma. “Ao pensar na carreira e não só no emprego, esse profissional certamente vai se empenhar para aprender a língua. A pessoa que quer gerenciar sua carreira vai ter de assumir novos desafios, novas competências e até mesmo mudar de empresa. Gestão de carreira é algo que depende quase que exclusivamente do profissional, e não da organização. É ele quem tem de saber o que quer e aonde quer chegar”, ressalta.

AUTOCONHECIMENTO 

Karla Candal DuarteKarla Candal Duarte, diretora da LHH-DBM, empresa de consultoria de carreiras, destaca que estamos vivendo em um mercado “muito doido” e que, diante disso, as pessoas precisam pensar e questionar mais sobre o que estão fazendo. Ela concorda que gerenciar a carreira é responsabilidade quase única do profissional, pois é a ele que cabe definir quais são seus objetivos profissionais e lutar para alcançá-los. “Não adianta também a pessoa falar em planejamento de carreira se ela não se conhece direito. Quando o profissional se autoconhece bem, ele vai conseguir determinar o que quer, aonde pretende chegar, em quanto tempo o objetivo deve ser alcançado e quais competências precisará assimilar ou desenvolver para tal. Falar inglês pode ser muito mais importante para atingir uma meta do que fazer um mestrado ou vice-versa. Por isso, é necessário saber realmente o que o mercado pede para a função que se almeja”, afirma.
Fernanda Schröder revela que, hoje, trabalha com orientação de carreiras justamente porque se preparou para isso. Sou psicóloga e sempre planejei minha vida profissional. Por saber o que queria, fiz pós-graduação em gestão de pessoas, para trabalhar com RH. Depois, para entender mais de negócios, fiz MBA em gestão estratégia de negócios. Entender de RH e de negócios me levou até onde estou. Antes, buscava profissionais no mercado. Hoje, entrego profissionais ao mercado. A formação que obtive me permite conversar com as empresas, entender o mercado e orientar meus alunos na busca do autoconhecimento e de seus objetivos”, revela.

ATITUDES

Além de buscar competências, Karla Candal lembra que outras atitudes têm de ser tomadas na busca de um objetivo definido, incluindo aí a coragem. “O fato de alguém querer ser presidente não significa que terá de ocupar esse cargo onde está trabalhando. Pode ser em uma outra empresa e, para isso, terá de romper com várias situações, raízes e se planejar. Posições executivas hoje em dia estão muito ligadas a atitudes e, ainda, a relacionamentos”, determina.

Para ela, mudar, entretanto, não é tão fácil, se não houver muita clareza nos objetivos. Até porque, as necessidades e os planejamentos podem mudar a qualquer momento. “Um trainee, que, de repente, passa a ser um homem de família, com certeza verá suas necessidades e planos se alterarem. É aí que entra a pergunta mais importante que ele deve se fazer: ‘O que eu quero? É dinheiro, poder, equilíbrio profissional e pessoal ou é simplesmente conseguir pagar as contas no fim do mês?’. Mudar para crescer é sempre muito bom e, num mercado nada estático como o de hoje, isso já se tornou natural. O ciclo médio de um executivo em uma empresa, que antes chegava a 20 anos, hoje varia entre cinco e sete anos. E está caminhando para atingir, no máximo, três anos num futuro breve”, completa.

Gerenciamento e planejamento de carreira foi o tema esta semana de um talk show realizado no anfiteatro do Ibmec-MG. Cerca de 200 pessoas participaram do encontro, grande parte delas formada por profissionais novos no mercado e de alunos de cursos de orientação profissional. O que demonstra que, atualmente, pensar na profissão como forma de fazer carreira vem se tornando uma preocupação bem mais acentuada do que muitos imaginam.

 

Artigo originalmente publicado no jornal Estado de Minas em 03/08/2014

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