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Executivos do país ainda não possuem perfil global

Preparar profissionais capazes de liderar a expansão internacional é um dos maiores desafios das empresas brasileiras no momento. Uma pesquisa realizada recentemente pela consultoria LAB SSJ revelou que a maioria dos grupos nacionais em expansão para outros países – com destaque para as multilatinas – sofre, atualmente, com a carência de líderes e gestores de perfil global. 105 gestores de mais de 80 companhias foram entrevistados na ocasião da pesquisa e afirmaram que os executivos brasileiros não estão preparados para o mercado internacional.

O desafio das empresas tem sido, portanto, investir no treinamento de líderes para que os mesmos sejam capazes de fazer gestão regional e tenham facilidade em interagir com culturas diferentes. Segundo os pesquisadores, os programas tradicionais de formação de lideranças, infelizmente, não atendem as necessidades das companhias em expansão externa. Visão estratégica, capacidade de lidar com diferenças culturais e inteligência emocional são três características fundamentais dos líderes globais. O MBA não desenvolve, atualmente, todas essas competências comportamentais. O profissional deve investir em uma capacitação complementar, direcionada para essas competências.

O ideal, segundo especialistas, é mesclar gestão estratégica, treinamento das habilidades comportamentais e conhecimento sobre a cultura da região em que a empresa pretende atuar. Além disso, é essencial um treinamento individualizado baseado no desenvolvimento das competências individuais e no trabalho direcionado a corrigir os pontos fracos de cada executivo.

A tendência se configura em um desafio para a área de recursos humanos (RH) das empresas, que deverão desenvolver uma política estratégica para preparar os executivos às necessidades internacionais. A multinacional Zurich Seguros adotou um modelo que tem agregado bons resultados. Recentemente, a empresa transferiu seu escritório regional da América Latina de Miami para São Paulo, o que exigiu a contratação de mais 250 profissionais, aumentando em 50% o número de colaboradores brasileiros. A empresa, dessa forma, iniciou um programa de formação de lideranças e, em paralelo, começou a reforçar o treinamento nas áreas técnicas.

Outra estratégia que possibilita bons resultados na formação de líderes globais é o programa de expatriação. Os executivos brasileiros podem ser encaminhados para outros países a fim de aprender um pouco mais sobre disciplina, enquanto eles podem ensinar a americanos e europeus sobre flexibilidade. É preciso, no entanto, que esses programas sejam bem planejados e estruturados para que a experiência internacional do executivo seja valorizada após a repatriação.

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