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Liderança pelo Exemplo

Liderança pelo Exemplo - 18 de OutubroInspiração, desafio e motivação são ingredientes essenciais para estimular a equipe a apresentar resultados. Pragmático ou afetivo, o líder deve saber retirar o melhor das pessoas.

 

Humberto Siqueira, Jornal Estado de Minas

 

Quando se fala em líder corporativo, logo se pensa em chefe. Mas há diferença entre liderar e chefiar. Embora os dois termos possam estar associados com comendo, direcionamento, a forma como se executa essa função diferencia um do outro. Nem todo chefe é líder e nem todo líder é chefe.

Liderança é a arte de liberar as energias e potencial das pessoas, visando atrair talentos, inteligência e conhecimentos para enfrentar a complexidade das mudanças, influenciando de forma positiva mentalidades e comportamentos. O líder precisa inspirar, desafiar e motivar a equipe a realizar seu potencial máximo, entregando resultados. Para isso, tem de ser capaz de fazer com que cada um e todos aceitem desafios e se sintam relevantes o tempo todo. Engajar pessoas e despertar nelas confiança é fundamental, assim como investir na própria competência técnica, que será sempre a sustentação dessa posição.

Nem todo líder nasce com esse perfil. Alguns têm trajetória de vida que o encaminham a agir dessa forma, enquanto outros buscam, conscientemente, aprimorar esse perfil. Segundo Karla Candal, diretora da LHH/DBM, empresa em soluções de mobilidade de talentos e transição de carreira, “o sucesso em processos de desenvolvimento está intimamente relacionado ao quanto indivíduos e organizações estão alinhados às suas identidades e propósitos”.

Para ela, o líder tem que estar alinhado com o que a organização tem definido na sua identidade – missão, valores, visão, competências e o resultado que deve ser atingido. “Para cada negócio temos estilos de interação diferenciados. Em ambientes mais competitivos, um líder mais pragmático pode ter mais aderência à organização do que um mais afetivo, por exemplo”, pondera.

Na visão de Lee Ellis, palestrante e autor do livro Leading with honor: leadership lessons from the Hanoi Hilton, em que apresenta sua experiência como prisioneiro de guerra durante cinco anos no Vietnã e destaca lições de liderança aprendidas no cativeiro, “a boa liderança é fundada em bom caráter. Inclui a obtenção de resultados e cuidado com as pessoas para alcançá-los. Normalmente, há uma tensão entre a missão (resultados) e as pessoas (relações), porque a missão deve ser sempre realizada, mas você não pode abusar das pessoas na obtenção de resultados sob pena de a performance diminuir a produtividade. No entanto, poucas são naturalmente talentosas em resultados e relacionamentos. Para ser um bom líder, a maioria das pessoas tem que aprender uma das duas habilidades, aquela que não é seu forte”, avalia.

Nesse cenário, o líder seria aquele que sabe tirar o melhor das pessoas, tem visão para alocar o profissional certo no lugar certo, uma escuta mais apurada, estabelece a confiança, engaja as pessoas e tem a compreensão de que o resultado é mérito de todos. O chefe seria aquele que trabalha pensando no seu próprio sucesso, não consegue segurar a pressão que ele mesmo sofre, não comunica bem para a equipe e mantém o nível de estresse alto para conseguir o resultado. Em geral, fica longe de conflitos e problemas, visando manter sua posição, sua equipe tem problemas de performance e turn over elevado.

Para Lee, um superior não terá capacidade de liderança se ele não consegue obter a confiança de sua equipe. “A confiança é a marca registrada de equipes coesas. Sem ela, as pessoas têm dúvidas, medos e incertezas que não levam a um alinhamento e unidade. E confiança, nesse contexto, significa que entendo e aceito você, porque você está disposto a ser vulnerável e genuíno. Esse tipo de confiança leva tempo e os líderes devem tê-la como prioridade”, afirma o ex-piloto da Força Aérea Americana.

 

Publicado originalmente no Jornal Estado de Minas, Caderno Megaclassificados, dia 13 de Outubro de 2013

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